Atualizado em 6/10/26 - Escrito por Rafael Netto na(s) categoria(s): Estratégia / Processos e Organização
Tomar decisões faz parte da rotina de qualquer gestor industrial. Definir preços, priorizar produtos, avaliar investimentos, reduzir custos, melhorar a produtividade e solucionar problemas são apenas alguns exemplos.
O problema aparece quando essas decisões são tomadas com informações incompletas, percepções individuais ou dados que não refletem o que realmente acontece na operação.
É nesse cenário que a tomada de decisão baseada em dados ganha importância. Com objetivos, metas e indicadores bem definidos, a indústria consegue identificar problemas mais rapidamente, investigar suas causas e acompanhar se as ações tomadas estão realmente trazendo resultados.
Neste artigo, você vai entender como aplicar esse conceito na gestão industrial e conhecer um caso real em que uma análise mais profunda dos dados ajudou uma fábrica a aumentar sua margem de lucro em 30%.
Rafael Netto, CEO da Nomus, explica no vídeo “O que mais atrapalha a tomada de decisão na indústria hoje?” como dados e indicadores podem ajudar gestores a encontrar problemas que muitas vezes estão escondidos na operação. Confira:
A tomada de decisão baseada em dados consiste em utilizar informações concretas da empresa para orientar escolhas de gestão, em vez de depender apenas de percepção, experiência ou intuição.
Isso não significa que a experiência do gestor deixe de ser importante. Pelo contrário. O conhecimento sobre o negócio continua sendo fundamental, mas passa a ser apoiado por informações que ajudam a confirmar hipóteses, identificar padrões e compreender melhor os problemas.
Na indústria, essas informações podem estar relacionadas a diferentes áreas, como:
Quando esses dados são registrados e analisados de maneira estruturada, o gestor consegue enxergar com mais clareza o que está acontecendo na empresa e decidir onde concentrar seus esforços.
Um dos principais obstáculos é não possuir um sistema de gestão com objetivos, metas e indicadores claramente definidos.
Sem indicadores, muitos problemas podem continuar acontecendo durante meses sem que sua dimensão seja percebida.
Existe uma frase bastante conhecida na gestão: “o que não se mede não se gerencia”.
Ela resume bem esse desafio.
Imagine que uma indústria perceba que sua produtividade está abaixo do esperado. A gestão pode tomar algumas medidas para tentar resolver o problema, como realizar treinamentos ou reorganizar a produção.
Mas, se a produtividade não for acompanhada continuamente, surge outra dificuldade: como saber se essas decisões realmente funcionaram?
Sem uma referência anterior, uma meta e indicadores atualizados, fica difícil avaliar a evolução.
Por isso, uma boa tomada de decisão não termina quando uma ação é escolhida. É necessário acompanhar seus efeitos.
Identificar que existe um problema é apenas o primeiro passo.
Uma indústria pode descobrir, por exemplo, que não está atingindo sua meta de produtividade. Mas saber que a produtividade está baixa ainda não mostra necessariamente o que precisa ser corrigido.
É preciso aprofundar a análise.
Um indicador geral de produtividade pode ser desdobrado por diferentes dimensões, como:
Esse detalhamento ajuda o gestor a procurar a causa raiz do problema.
Imagine que a produtividade geral esteja abaixo da meta, mas que a análise mostre que o problema está concentrado principalmente em determinado turno.
Essa informação muda completamente a decisão que precisa ser tomada.
Pode ser necessário avaliar a liderança daquele turno, revisar processos, reforçar treinamentos ou investigar outras condições específicas daquele período.
Sem esse nível de detalhamento, a empresa poderia aplicar uma solução genérica para toda a fábrica, gastando recursos sem atacar a verdadeira origem do problema.
Problemas de gestão normalmente acabam impactando um de dois lados do resultado financeiro da empresa: receita ou custo.
Por isso, melhorar a capacidade de identificar e resolver problemas também pode melhorar diretamente a lucratividade da indústria.
E foi exatamente isso que aconteceu em um caso acompanhado pela Nomus.
Uma indústria possuía uma válvula que era considerada internamente um de seus melhores produtos.
Ela apresentava um bom volume de vendas, tinha uma margem de contribuição aparentemente interessante e era bastante valorizada pela equipe comercial.
Tudo indicava que aquele produto era extremamente positivo para o negócio.
Havia apenas um problema: a lucratividade da fábrica estava diminuindo ano após ano.
Os gestores percebiam a queda no resultado, mas ainda não conseguiam identificar claramente sua causa.
Após a implantação do Nomus ERP Industrial, a empresa passou a analisar com mais profundidade os dados de diferentes áreas da operação, principalmente os relacionados à produção.
Foram criados painéis de gestão e passaram a ser acompanhados indicadores como a produtividade das máquinas e dos operadores.
Foi então que surgiu um sinal importante.
A empresa havia estabelecido uma meta de produtividade próxima de 80%, mas tinha muita dificuldade para alcançá-la.
Em vez de olhar apenas para o indicador geral, os gestores começaram a desdobrar as informações.
Analisaram a produtividade por equipamento, operador, produto e turno de produção.
Esse detalhamento permitiu identificar um padrão: as ordens de produção relacionadas à válvula campeã de vendas apresentavam tempos reais de fabricação muito superiores aos tempos planejados.
Ou seja, justamente um dos produtos considerados mais importantes comercialmente possuía baixa produtividade na fábrica.
Mas a investigação ainda não terminou nesse ponto.
Ao aprofundar a análise e envolver operadores e supervisores do chão de fábrica, a empresa percebeu que o processo produtivo daquela válvula era muito mais complexo do que o dos demais produtos.
Além de demandar mais tempo, sua fabricação ocupava uma das principais linhas de produção.
O efeito acabava se espalhando para o restante da fábrica.
Outras ordens de produção tinham mais dificuldade para avançar e os lead times aumentavam.
Isso mostra por que olhar apenas para vendas ou margem de contribuição pode levar a uma conclusão incompleta.
Comercialmente, a válvula parecia excelente.
Quando os dados da produção entraram na análise, surgiu uma visão muito diferente sobre sua rentabilidade real para a operação.
Com essas informações, a empresa decidiu aumentar o preço de venda da válvula.
O objetivo não era simplesmente aumentar a receita.
A estratégia buscava reduzir a demanda pelo produto e, ao mesmo tempo, garantir uma margem maior nos pedidos que continuassem chegando, compensando a complexidade de sua fabricação.
Cerca de três meses depois, o volume de pedidos daquela válvula havia diminuído.
Por outro lado, os pedidos que continuavam chegando apresentavam preços e margens maiores.
A capacidade liberada na fábrica passou a ser utilizada na produção de outros itens menos complexos e com uma relação mais interessante entre esforço produtivo e margem.
Com o novo mix de produtos, a empresa conseguiu:
O ponto mais importante é que dificilmente essa decisão surgiria apenas observando o volume de vendas daquele produto.
Foi necessário cruzar informações comerciais e produtivas e aprofundar os indicadores até encontrar a origem do problema.
O caso também mostra um cuidado importante na gestão industrial: um único indicador raramente explica sozinho o desempenho de um produto ou de uma empresa.
Um produto pode vender muito e ter uma boa margem de contribuição, mas provocar gargalos produtivos.
Outro produto pode ter um volume de vendas menor, mas ocupar pouco tempo das máquinas e gerar uma margem interessante em relação à capacidade utilizada.
Por isso, gestores precisam conseguir relacionar diferentes perspectivas do negócio.
Entre elas:
Quanto mais integradas estiverem essas informações, maior é a capacidade da gestão de enxergar relações que poderiam passar despercebidas.
Para tomar decisões melhores, primeiro é necessário ter dados confiáveis.
Esse é um dos papéis de um ERP Industrial.
Quando processos como vendas, compras, estoque, produção e financeiro são realizados dentro de um mesmo sistema, os registros da operação passam a formar uma base de dados integrada sobre o funcionamento da empresa.
No Nomus ERP Industrial, por exemplo, essas informações podem ser utilizadas para acompanhar indicadores e construir análises sobre diferentes áreas da indústria.
Isso permite sair de perguntas mais gerais, como:
“Nossa produtividade está boa?”
para perguntas muito mais úteis para a tomada de decisão:
“Quais produtos estão reduzindo nossa produtividade?”
“Em quais equipamentos o problema está concentrado?”
“Existe diferença de produtividade entre os turnos?”
“O tempo real de fabricação está próximo do tempo planejado?”
“Quais produtos utilizam nossa capacidade produtiva de maneira mais eficiente?”
Esse aprofundamento transforma os dados registrados durante a operação em informações úteis para a gestão.
Não é necessário acompanhar dezenas de indicadores desde o primeiro dia.
O mais importante é começar pelas questões que realmente afetam os objetivos da empresa.
Uma sequência possível é:
1. Defina os principais objetivos do negócio
A empresa quer aumentar a margem? Reduzir atrasos? Melhorar produtividade? Diminuir estoque? Crescer o faturamento?
Os indicadores precisam estar relacionados a objetivos concretos.
2. Defina metas
Um indicador sem referência mostra o resultado, mas não necessariamente revela se o desempenho é satisfatório.
A meta cria um parâmetro para avaliação.
3. Acompanhe os indicadores continuamente
Não basta analisar uma vez.
O acompanhamento ao longo do tempo permite identificar tendências, perceber desvios e verificar se as ações adotadas estão trazendo os resultados esperados.
4. Desdobre os indicadores quando houver problemas
Se um indicador estiver abaixo da meta, investigue.
Avalie produtos, máquinas, operadores, clientes, fornecedores, turnos ou qualquer outra dimensão que possa ajudar a localizar a origem do problema.
5. Tome uma decisão e continue medindo
Depois de implementar uma mudança, volte aos indicadores.
É dessa forma que a empresa consegue verificar se a decisão resolveu o problema ou se uma nova investigação será necessária.
Gestores industriais tomam decisões todos os dias.
A diferença está na qualidade das informações utilizadas para tomar essas decisões.
Quando os processos da empresa estão digitalizados e os dados são transformados em metas e indicadores, problemas que antes ficavam escondidos começam a aparecer.
E quanto antes um problema é identificado e sua causa raiz é encontrada, maior é a possibilidade de corrigi-lo antes que continue aumentando custos, reduzindo receitas ou comprometendo a lucratividade.
O caso da válvula campeã de vendas mostra justamente isso: aquilo que parecia ser um dos melhores produtos da empresa estava contribuindo para reduzir a produtividade de toda a fábrica.
Foi somente aprofundando a análise dos dados que os gestores conseguiram enxergar o problema, tomar uma decisão diferente e melhorar os resultados da operação.
O Nomus ERP Industrial ajuda indústrias a digitalizar seus processos e transformar informações de vendas, compras, estoque, produção e financeiro em dados para apoiar a gestão.
Quer entender como sua indústria pode usar melhor os dados para tomar decisões mais seguras e aumentar seus resultados? Fale com um especialista da Nomus.
Engenheiro de Produção formado na UFRJ com especializações nas áreas de gestão estratégica, custos, financeira, fiscal e de projetos de software. CEO e fundador da Nomus. Rafael tem mais de 20 anos de experiência como gestor nas áreas de Estratégia, Desenvolvimento de software, Suporte, Implantação, Financeiro, Recursos Humanos, e com implantação de sistemas de PCP e ERP em fábricas de diversos setores, como Alimentos, Metal/mecânico, Plástico, Químico, Farmacêutico, Gráfico, Equipamentos, Náutico, entre outros.
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