12 Benefícios de configurar um bom roteiro de produção

Atualizado em 20/12/19 - Escrito por Celso Monteiro na(s) categoria(s): Produção

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Sempre que inicio um projeto de implantação, peço para a empresa contratante indicar quais são suas pretensões. Normalmente, as respostas são as mesmas: Gestão de estoque e Planejamento, e Controle da Produção. Embora a configuração do Roteiro de Produção não seja necessária para uma boa gestão de estoques, não podemos dizer o mesmo da sua importância para o Planejamento da Produção.

Roteiro de produção (ou de produto) e o PCP estão intimamente ligados. Isso quer dizer que não temos o PCP sem Cadastro de Roteiro e o Cadastro de Roteiro não é justificável caso a empresa não busque o PCP. Logo, é uma ligação fortemente estabelecida entre as duas partes.

O roteiro de produção com o PPCP

Quando incluímos mais um “P” na sigla, aí que tornamos o cadastro de roteiros ainda mais importantes. Ao transformarmos o PCP em PPCP, o Planejamento e Controle da Produção se transforma em Planejamento, Programação e Controle da Produção – e o roteiro se torna fundamental para alcançar as metas de programar, mas também de planejar e controlar a produção.

Porém, o cadastro de roteiros também se mostra igualmente importante em outras áreas da empresa. Além disso, eles trazem vários benefícios para as organizações que se dedicaram a configurá-lo corretamente, desejando ter uma boa administração da produção.

Neste artigo enumerarei alguns dos benefícios que sua empresa terá caso opte por dedicar algum esforço ao configurar um roteiro de produção para todos os seus produtos fabricados. Confira-os a seguir!

1. Processos de fabricação bem definidos e padronizados

Com a especificação do roteiro, os problemas oriundos de dúvidas ou falta de informação na especificação das operações a serem realizadas para cada produto são eliminadas. Imagine um determinado produto que precise ser jateado com tinta e depois passar um determinado período na estufa para a tinta secar. Com um roteiro de produção bem especificado, os funcionários do chão de fábrica conseguem saber com precisão e agilidade quanto tempo a peça precisaria ficar na estufa.

Veja mais: 6 benefícios de controlar o chão de fábrica com um sistema de gestão PCP

Outro ponto a ser levantado é relativo à padronização. No mesmo exemplo da estufa, imagine que no primeiro momento, o operador tenha deixado a peça por 10 minutos, já um segundo lote ficou 15 minutos. Como não há nenhuma especificação de tempo, o operador poderia sempre executar a operação na estufa com períodos diferentes, o que certamente afetaria na padronização e qualidade do produto.

Alguns dos erros de processo mais comuns e que podem ser evitados com uma boa parametrização de roteiro são:

    • operação executada em máquina errada;
    • sequência entre as operações equivocadas e que prejudica todas as etapas seguintes;
  • tempo de operação incompatível com o necessário para a qualidade da peça, que pode ser excedido ou diminuído.

2. Facilidade na obtenção de informações das operações

As empresas que não buscam estabelecer roteiros de produção, geralmente acabam reféns de um funcionário que detém o conhecimento dos roteiros na sua própria cabeça. Sem a presença desta pessoa, a fábrica praticamente pára por falta de alguém que consiga detalhar os processos, tempos e ordenação de cada etapa preestabelecida pelo roteiro.

Ao cadastrar esse documento, a empresa explicita a informação para que outros colaboradores também consigam ter acesso às informações. Logicamente, o roteiro não retira a importância desta pessoa, porém, faz com que a empresa não pare na falta deste funcionário em específico. Até posso destacar aqui a importância de investir em tecnologias que facilitem todo esse trabalho, permitindo um controle bem maior da produção.

3. Maior eficácia nos apontamentos da produção

Todo e qualquer apontamento da produção realizado só é possível caso a indústria tenha cadastrado o roteiro previamente. Caso o roteiro tenha sido mal configurado, com operações inexistentes, sequências equivocadas, máquinas e centros de trabalho incompatíveis com a etapa do roteiro, tudo isso afetará diretamente os apontamentos, que por consequência serão realizados de maneira equivocada.

Uma boa parametrização do roteiro garante que os apontamentos seguirão a sequência ideal da peça e que as informações coletadas (duração da operação, máquina e operador relacionados) estarão corretas para a etapa do roteiro que está sendo apontada.

Veja mais: 5 diferenças entre o apontamento de chão de fábrica em tempo real e o retroativo

4. Execução da programação fina da produção

Conforme mencionado no início do texto, a Programação Fina só pode ser alcançada caso tenha uma boa parametrização do roteiro de produção. Temos alguns artigos que detalham mais os conceitos e a importância da Programação Fina na Gestão Industrial, como:

Caso os períodos, máquinas ou sequências entre as operações do roteiro estiverem errados automaticamente a Programação Fina da fábrica sofrerá com esses erros e as informações geradas estarão comprometidas.

Por outro lado, caso a parametrização tenha sido feita de forma correta, a programação será automaticamente beneficiada, pois a empresa contará com prazos de entrega confiáveis, fila de máquina organizada, ocupação de recursos e todas as informações pertinentes à programação de forma correta e compatível com a realidade da fábrica.

5. Cálculo dos custos de fabricação corretos

Conforme um artigo já publicado no blog sobre cálculo do custo de fabricação, como você pode vê-lo aqui, o estabelecimento de um roteiro de produção é parte necessária para o conhecimento de todos os custos envolvidos na transformação de um produto.

Por meio do roteiro, conseguimos mensurar o CIF (Custo indireto de Fabricação) e o custo de MOD (Mão de obra direta) referentes a cada operação. A fórmula utilizada para chegar ao custo de cada Operação segue a seguinte lógica:

CIF = tempo de operação x custo/h de utilização da máquina

Como dica de leitura para você aprender a obter o custo por hora de utilização da máquina, indico 6 passos para você apurar o custo máquina com apoio do PCP

MOD = tempo de H/H de MOD x custo /h do operador

Custo Total da operação = CIF + MOD

Para obter o custo de fabricação basta somar o custo total de todas as operações do roteiro. Com isso, para fechar o custo de produção basta adicionarmos os custos de materiais.

6. Mais precisão nos relatórios pertinentes à produção

É importante, também, elucidar a importância que o roteiro de produção possui para vários relatórios relacionados à fabricação, principalmente aqueles obtidos por meio de apontamentos.

Sem o estabelecimento de roteiros, não teríamos como analisar os recursos críticos da fábrica, programar a produção, analisar a capacidade e eficiência das máquinas e operadores. O roteiro carrega em si a informação do que é esperado para a fabricação do produto, e é a partir dela que será gerado uma série de relatórios para mensuração do desempenho e planejamento da fábrica.

7. Fiscalização do andamento da produção no chão de fábrica

O crescimento de uma indústria é substancialmente grande se gerenciados os gargalos existentes na produção. Como disse, o trabalho desenvolvido pelos colaboradores de acordo com o roteiro de produção precisa seguir um padrão para que uma maior qualidade dos produtos seja obtida.

No entanto, esse trabalho não deve estar restrito aos colaboradores que atuam no chão de fábrica. Nesses casos, o papel do gestor é de suma importância, pois é ele quem fiscalizará o andamento da produção de acordo com o que foi preestabelecido nas regras repassadas aos funcionários. Por meio da checagem adequada, o gestor poderá propor novas soluções para a produção, a fim de otimizar os processos e reduzir os retrabalhos causados principalmente por paradas e esperas por manutenção ou mesmo documentação.

Além disso, ele deverá conduzir a equipe para que ela obtenha o melhor desempenho. Logo, uma das suas principais funções será controlar as atividades diárias, conhecendo o tempo gasto em cada atividade. Com a ajuda da roteirização da produção, ele terá uma noção mais real sobre as lacunas e a necessidade de alocação de mais colaboradores para que sejam cumpridas as metas preestabelecidas.

O documento serve, também, para que ele possa consultar a produção por máquina, por funcionário e lote diariamente, semanalmente e anualmente. Tendo o suporte para a criação de relatórios gerenciais posteriormente.

8. Mais controle de qualidade e da produtividade

Como mencionei, o roteiro de produção permite saber qual a capacidade produtiva de cada máquina em funcionamento na indústria. Por exemplo, imagine que uma estufa consiga armazenar e fazer a secagem da pintura de um objeto a cada 10 minutos. Ao ter esse controle, você sabe exatamente quanto desse mesmo objeto poderá ser produzidos diariamente.

Isso é essencial para checar se a produção está adequada ao mercado (ou se está apresentando defasagem/sobra). Além disso, será possível acompanhar se as ações dos colaboradores condizem com essa capacidade produtiva, a fim de realizar o alinhamento dos treinamentos e estabelecer um ranking de quais funcionários e máquinas mais produtivos, reproduzindo esse comportamento para o resto da equipe.

Consequentemente, com essa padronização e reprodução do comportamento produtivo, a indústria tem um maior controle sobre a qualidade dos produtos que saem dali. Por exemplo, se algumas máquinas não estão sendo utilizadas de maneira adequada, provavelmente, a produção apresentará falhas, comprometendo a sua qualidade. Com o roteiro, é possível identificar esses gargalos mitigando, assim, os erros.

9. Maior facilidade no cálculo do custo-hora padrão e formação do preço de venda

Ao configurar um roteiro de produção, uma das primeiras ações a serem tomadas pelos gestores diz respeito à lista de materiais utilizados, bem como às suas quantidades e máquinas que transformarão essa matéria-prima em um produto manufaturado. Assim, será possível compreender todos os custos envolvidos na produção, a começar pela matéria-prima.

A partir do roteiro é possível, também, fazer o cálculo de mão de obra utilizada e valor da degradação das máquinas (se foi preciso manutenção ou novos componentes). A ideia é utilizar todos esses dados no cálculo dos Custos Indiretos de Fabricação (CIF) ou Gastos Gerais de Fabricação (GGF), tal como destaquei anteriormente no artigo.

A partir da inserção de todos os valores, será mais fácil compreender qual o valor da hora padrão da produção de determinado produto e ter uma base para a formação do preço do insumo a ser repassado para o consumidor. Isso evitará que a indústria precifique o item erroneamente, colocando um valor abaixo do que é necessário para suprir as necessidades dos custos e do lucro, ou exorbitante prejudicando a saída de mercado.

10. Identificação das oportunidades de redução de custos

Um roteiro de produção precisa ser atualizado constantemente de acordo com as novidades que surgem no mercado, otimizando assim o trabalho interno. No entanto, vale ressaltar que essa atualização também visa a identificação de oportunidades de redução de custos. Como o documento contém detalhes sobre matéria-prima, mão de obra, duração de cada processo, entre outros aspectos, a partir de um estudo analítico desses dados, é possível encontrar pontos que podem ser melhorados para reduzir os gastos da organização.

Imagine, por exemplo, que alguma matéria-prima tenha sobrado em todos os processos, é hora de rever a forma como ela é utilizada para reduzir sua compra. Muitas vezes os custos elevados estão ligados a desperdícios, atente-se a isso.

11. Melhoria contínua dos processos

A competitividade de uma indústria está intimamente relacionada a maneira pela qual ela conduz os seus processos. Logo, sua constante melhoria deve estar na pauta dos gestores e ser repassada aos colaboradores.

Isso pode ser alcançado de diferentes maneiras e é aí que entra o roteiro de produção. Por meio dele, o gestor poderá fazer a checagem e propor ações, por exemplo, que diminuam o tempo que o colaborador gasta em uma tarefa sem perder a qualidade do serviço desenvolvido. Ele pode, ainda, estabelecer um novo formato de trabalho, assim como modificar etapas e substituí-las por outras mais eficazes.

12. Estabelecimento do histórico do desempenho das unidades

O avanço da indústria pode ser medido pelo histórico do desempenho. Com o apoio de um roteiro de produção estruturado é possível ter essas informações detalhadas. Você terá à disposição dados sobre a evolução de diversos índices que fazem a medição da eficácia da produção da empresa.

Consequentemente, é possível aumentar a performance e aperfeiçoar cada vez mais as etapas, pois você sabe exatamente o que precisa melhorar e como isso deve acontecer ao longo do tempo. Imagine realizar essa tarefa sem o roteiro, isso pode levar até ao regresso, visto que você não tem ideia de como as coisas funcionavam antes e quais eram exatamente as falhas.

A utilização do roteiro de produção como seu aliado

Não importa se o roteiro possui uma ou vinte operações, a sua caracterização e parametrização no sistema são importantíssimos. Só assim empresa conseguirá obter valiosas informações sobre o seu desempenho interno e evitará as falhas oriundas da falta de padronização e especificação das etapas a serem seguidas pelo produto na fábrica.

Não deixe de lado esta etapa na implantação do seu sistema de gestão industrial, pois o roteiro será um grande aliado para que você consiga obter sucesso no seu projeto. Antes de escolher o seu software de gestão, conheça o ERP Industrial. Ele pode lhe conferir todos esses benefícios através da configuração do Roteiro de Produto? Assista a uma apresentação e veja como isso é possível!


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Engenheiro de Produção formado pelo CEFET e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Celso já atuou em fábricas de diversos setores, como: metal-mecânica, materiais de escritório, artefatos de concreto, perfuração, cabos e cordas navais, têxtil (confecção e tinturaria), reciclagem de metal, dentre outros segmentos.


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