Você sabe o que são custos fixos, variáveis, diretos e indiretos?

Atualizado em 18/06/18 - Escrito por Thiago Leão na(s) categoria(s): Custos e Finanças / Gestão de capacidade produtiva / Gestão de custos / OPT - Teoria das restrições / Produção

Custos industriais

Nas empresas e na sala de aula, vemos uma grande confusão de conceitos e muitas pessoas têm dificuldade em entender o que são custos fixos, variáveis, diretos e indiretos. Você sabe fazer esta distinção? A partir da minha visão e experiência, costumo definir da seguinte forma:

Infográfico custos diretos, indiretos, fixos e variáveis

Custos fixos x variáveis

A classificação de um item de custo como fixo ou variável depende do horizonte de visão. Como diria Keynes, no longo prazo estaremos todos mortos e como diria meu professor de custos na faculdade, no longo prazo todos os custos são variáveis.

Por exemplo, no curtíssimo prazo, um avião com 50% de ocupação e pronto para decolar tem todos os seus custos fixos e comprometidos, independentemente do aumento de última hora no número de passageiros. Já no médio prazo, podemos contratar ou demitir funcionários, ativar ou desativar turnos de trabalho, comprar ou vender máquinas etc. Dando sequencia, no longo prazo, podemos construir ou desativar uma planta de produção, terceirizar toda a produção etc. Por isso, no longo prazo, todos os custos são variáveis.

Falando do curto prazo

Normalmente, quando falamos de custos fixos e variáveis, nos referimos ao curto prazo, digamos que um horizonte de um mês de uma fábrica. Neste contexto, normalmente, custos variáveis são variáveis em função de alguma variável, com o perdão da repetição das palavras, normalmente relacionada à vendas. Por exemplo, impostos faturados irão variar de acordo com a receita, custos de materiais de acordo com o volume vendido etc.

Ainda no curto prazo, custos fixos são aqueles que não variam se houver variação nas vendas. Por exemplo, custos relacionados ao espaço como aluguel, custos com pessoal. Com pouca ou alta demanda de produção e vendas, o aluguel e salários devem ser pagos mensalmente.

Aplicação clássica dos conceitos: break even point

Uma aplicação clássica do conceito de custos fixos e variáveis é a determinação do ponto de equilíbrio, muito conhecido como break even point, que ajuda a responder: qual é o volume de vendas necessário para zerar o resultado, ou seja, não ter nem lucro e nem prejuízo? Esse é um tema que por si só já requer um post exclusivo, portanto, vamos avançar.

Conceitos avançados e o que há de novo

Pedi ajuda a um grupo de discussão sobre custos industriais no Linkedin e meu amigo Fabio Fernandes falou que no lean accounting, não se mistura custos fixos e variáveis. Os fixos são gerenciados para serem o mínimo possível, de acordo com a necessidade da operação. Os custos variáveis são medidos basicamente a partir de materiais, e a margem de contribuição é apurada regularmente a partir de Vendas – Impostos sobre Vendas – Custos Variáveis.

Neste mesmo grupo de discussão tive a contribuição inestimável do Professor Ariovaldo Silva, autor do Blog do Prof Ari: Na prática a coisa nem sempre é como aborda a teoria. Alguns custos ocorrem em degraus ou em faixas de produção, ou em turnos, etc. A própria mão obra em algumas empresas tem esse comportamento. Se uma empresa tem 5 máquinas e precisa de 3 funcionários para cada máquina ela terá uma equipe de 15 funcionários que serão fixos. Se a produção cair pela metade não será possível passar a ter 7,5 funcionários. Se a empresa adotar mais um turno o custo provavelmente mais que dobrará, pois horas noturnas pagarão adicional noturno. Então custos variáveis e fixos à luz da teoria é algo que precisa ser avaliado com cuidado.

Custos industriais

Custos diretos x indiretos

Já a classificação dos itens de custo como diretos ou indiretos tem mais a ver com o grau de facilidade ou dificuldade de sua apuração. Quanto mais fácil atribuir um item de custo a um produto, mais direto ele é.

Por isso, matérias primas são consideradas como itens de custo direto, a mão de obra alocada na produção, que coloca a mão na massa também é considerada como um item de custo direto. Outros itens, como energia elétrica, depreciação de máquinas, mão de obra de supervisão e gerência, tem sua alocação aos produtos mais difícil, demandando critérios de rateio ou direcionadores de custos que muitas vezes são arbitrários ou muito difícil de medir e por isso são considerados itens de custo indireto.

Se um item de custo tem sua apuração muito difícil e o custo da apuração for maior do que o benefício gerado pela informação, em geral não recomendo o esforço de medição. Vale a máxima: a relevância é mais importante do que a precisão. É muito comum na área de custos aplicarmos a regra de Pareto, de 80 / 20, ou dos poucos relevantes e dos muitos irrelevantes. Em muitos casos, mais de 90% dos custos estão em menos de 10% dos itens de custo.

Ainda assim, como apurar custos com mais detalhes?

Apesar de não ser objetivo deste post, acho que vale a pena deixar uma dica de que com sistemas informatizados e as metodologias certas é possível dar mais precisão na alocação de custos a produtos. Com a entrada em massa dos produtos japoneses de alta qualidade e baixo preço no mercado norte-americano no final dos anos 1970, foi necessário entender melhor como atribuir custos aos produtos e com isso surgiu o custeio baseado em atividades (ABC) no final da década de 1980.

Mais recentemente, no final da década de 1990 e início dos anos 2000 surgiram evoluções do ABC original: o custeio baseado em atividades orientado pelo tempo (time-driven ABC – TDABC) e para a contabilidade de consumo de recursos (resource consumption accounting – RCA). Dois fatores comuns que diferenciam essas duas metodologias do ABC original são a parametrização da capacidade no recurso ao invés de na atividade e puxar ao invés de empurrar os custos dos recursos a partir dos objetos finais, passando pelas atividades. Essas mudanças vêm se demonstrando as chaves para facilitar a manutenção dos sistemas modernos de gestão de custos.

Veja mais: Como reduzir custos e aumentar lucros usando conceitos do Just in Time

Indo além da gestão de custos: a gestão da capacidade

O comportamento dos custos e da lucratividade de uma organização, porém não pode ser compreendido exclusivamente através do consumo de recursos por produtos e outros objetos de custeio, mas também como a carteira de produtos e clientes utiliza a capacidade de produção disponível. Para isso são recomendados modelos de gestão de capacidade que medem e comunicam como a capacidade é utilizada e podem ou não refletir os custos referentes à utilização.

A teoria das restrições e a contabilidade de ganhos trazem conceitos que potencializam a gestão de custos, apesar de seus autores defenderem a tese de que custos não devem ser atribuídos a produtos.

Veja mais: 3 princípios que irão mudar sua visão sobre custos

Exemplos de item de custo em cada combinação das categorias

Portanto, não há nada que impeça um item de custo ser fixo e direto, fixo e indireto, variável e direto e variável e indireto. Por exemplo:

  • Fixo e direto – mão de obra direta, ou MOD, como o próprio nome diz, é um item de custo direto e ao mesmo tempo é um custo fixo se observarmos o curto prazo;
  • Variável e indireto – energia elétrica aplicada na produção é um item de custo indireto, pois na maioria dos casos é de difícil alocação ao produto, mas ao mesmo tempo em que varia de acordo com o volume de produção e vendas;
  • Variável e direto – matéria prima, que não precisa de muita explicação, é variável pois se não houver produção e vendas não há custo de matéria prima e é direto pois é um dos itens de custo de mais fácil alocação aos produtos;
  • Fixo e indireto – mão de obra indireta, como por exemplo, supervisores, gerentes e diretores. Como já explicado anteriormente, mão de obra é um custo fixo e a que não está “na massa” é de difícil alocação aos produtos e por isso é indireta.

E na sua indústria, há clareza nos conceitos de custos? São muitos, expus aqui apenas alguns dos mais populares que costumamos ouvir pessoas que se confundem bastante. Vamos seguir na jornada de aprendizado e colaboração?

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Engenheiro Mecânico Industrial formado na UERJ e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Thiago já atuou em fábricas de diversos setores, como: Embarcações, perfuração submarina, metal-mecânica, materiais de escritório, alimentício, cosméticos e tubulação.



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