Você sabe qual é o ambiente de produção da sua indústria?

Atualizado em 7/11/19 - Escrito por Rômulo Henrique na(s) categoria(s): Planejamento e Controle da Produção / Produção

Chão de fábrica

Henry Ford dizia “meus consumidores podem escolher a cor do carro, desde que seja preto”. Em um ambiente de produção como o da Ford no início do século passado não havia espaço para muitas opções de configurações dos consumidores – o foco era produzir veículos acessíveis ao grande público.

Entretanto, as demandas do mercado evoluíram muito e com isso as indústrias precisaram se adaptar e criar ambientes de produção adequados ao atendimento destas demandas.

O ambiente de produção é determinante na definição de parâmetros e configurações de um sistema de PCP ou PPCP.

Portanto, antes de pensar em arrumar a casa, é fundamental conhecer bem como e porque ela funciona.

É muito comum o responsável pela gestão de uma indústria acreditar que a sua indústria é a mais difícil de ser gerenciada, que os desafios que ele encontra são maiores do que de outras indústrias etc.

Por exemplo, alguém que precisa atender com pronta-entrega reclama que precisa manter altos níveis de estoques e que seria mais fácil se a produção fosse sob encomenda.

Por outro lado, quem produz sob encomenda reclama que é muito difícil prometer e cumprir os prazos de entrega. E assim por diante, cada um com seus respetivos desafios e reclamações.

Entretanto, melhor do que reclamar é entender as razões da sua indústria produzir para estoque ou por encomenda e aplicar as ferramentas certas para apoiar a sua gestão.

Antes de qualquer coisa, você precisa pensar como é o modelo de negócios da sua empresa respondendo algumas perguntas básicas:

  • Por quê a sua empresa existe?
  • Como é a sua relação com clientes e fornecedores?
  • Como esse modelo afeta o ambiente de produção da sua empresa?

Depois de refletir bastante internamente, você pode recorrer à bibliografia de engenharia de produção para classificar seu ambiente de produção.

Muitas indústrias têm um modelo híbrido, que mescla mais de um dos ambientes que serão apresentados a seguir. Vamos conhecê-los?

Ambiente de produção

Ambientes de produção

Achamos importantíssimo citar as fontes bibliográficas caso os leitores do post queira se aprofundar no tema. Esta classificação e as imagens foram obtidas no livro Administração da produção de Slack, Chambers e Jonnston.

Bom, para facilitar o entendimento e sua classificação, vamos utilizar as siglas D e P:

  • (D) Tempo real de espera dos consumidores, ou tempo de demanda;
  • (P) Tempo de obter os recursos, produzir e entregar o produto ou serviço ao cliente, lead time ou tempo de atravessamento total.

A partir dessas definições, vamos abordar quatro tipos de demanda para entendermos como deve ser organizado o ambiente de produção de forma a atender às expectativas do mercado:

Recursos contra pedido, ou resource-to-order

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No ambiente resource-to-order a fábrica só irá iniciar as compras e a produção de um bem ou serviço quando o pedido for colocado pelo cliente.

Aqui, alguns dos principais desafios são prometer e cumprir prazos de entrega e gerenciar o relacionamento com fornecedores esporádicos: a empresa utiliza o prazo de fornecimento da última compra para estimar o prazo de entrega ao seu cliente, mas o fornecedor por não ter um relacionamento frequente pode dar prioridade a outros atendimentos e fornecer em um prazo muito maior do que o mais recente, aumentando o tempo total do processo e atrasando a entrega ao cliente.

Exemplo: indústria metal mecânica que produz de acordo com os projetos de seus clientes. A empresa só adquire as matérias primas para iniciar a produção do projeto a partir do momento que o cliente especificou o produto que deseja receber. Neste caso, o tempo D será igual ao tempo P, pois a produção só é iniciada a partir do momento que o pedido foi colocado e especificado.

Fazer contra pedido ou make-to-order

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Neste ambiente, a partir de algum método de previsão de demanda a fábrica irá comprar matérias primas para estoque e as utilizará na produção somente a partir do momento que um pedido for colocado pelo cliente. Aqui podemos citar dois desafios complexos: prever a demanda por matérias primas e programar a produção de forma a prometer e cumprir prazos de entrega.

Exemplo: uma fábrica que produz aditivo para concreto.  Como o produto acabado tem um alto custo de armazenagem em tanques que ocupam grande espaço físico e o mercado aceita esperar o tempo de produção e entrega, esta empresa deve iniciar a produção somente quando tiver um pedido colocado, entretanto toda matéria prima necessária já deverá estar armazenada em seu pátio. Neste caso o tempo D será composto de fazer e entregar e o tempo P contempla todo o ciclo de produção (comprar, fazer, entregar).

Chão de fábrica

Fazer para estoque, ou make-to-stock

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Em um ambiente make-to-stock, a fábrica irá iniciar o processo de compra e processamento, entretanto irá estocar os produtos acabados. Retirando os produtos do estoque somente quando os clientes colocarem os pedidos. Aqui podemos caracterizar a pronta-entrega e um dos principais desafios é acertar na previsão de vendas para que seja atingido um equilíbrio na gestão de estoque: não pode faltar para o cliente buscar a concorrência e não pode haver demais para não incorrer em excessos de custos.

Exemplo: uma cervejaria. A empresa irá produzir e envasar a cerveja que provavelmente irá ficar estocada. Esta será distribuída para os atacadistas e varejistas a partir do momento que estes colocarem os pedidos na cervejaria. Neste caso, a empresa compra a matéria prima, processa e estoca o produto acabado. Retirando o mesmo do setor de estoque quando o cliente coloca o pedido. Logo, o tempo D compreende o processo de entregar e o tempo P os processos de obter os recursos, produzir e entregar o produto.

Montar contra pedido, ou assembly-to-order

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No ambiente assembly-to-order a empresa irá comprar as matérias primas, fabricar as peças do produto e estocar. O produto final será montado a partir do momento que o cliente colocou o pedido iniciando desta forma o processo de montagem e entrega. Neste ambiente, um dos principais desafios é organizar a produção e os estoques de peças e produtos intermediários também na busca de um equilíbrio.

Exemplo: uma fábrica de lanchas de luxo. Nesta fábrica os clientes são bastante exigentes e determinam que suas lanchas sejam personalizadas, como por exemplo diferentes cores do tapete e do couro, os detalhes em madeira etc. Desta forma, embora a empresa tenha um portfólio de produtos padronizados, muitos desses podem ser personalizados. Neste ambiente de produção o tempo D abrange as etapas de montar e entregar, enquanto o tempo P abrange os processos de obter os recursos, produzir e entregar o produto.

Cada indústria com seu desafio

Como comentamos no início, os desafios na gestão da produção estão em todas as indústrias.

Entender e reconhecer que não é só você que tem problemas a serem resolvidos é um bom sinal de que para cada problema existe uma solução adequada.

Portanto, fica a pergunta: agora que você já sabe classificar, em que ambiente de produção a sua empresa está?

Se a resposta for sim, pode ter certeza que está no caminho certo para começar a escolher a melhor estratégia para implantar novos conceitos de gestão da produção.

Pois a partir do conhecimento do ambiente de produção podemos avançar para implementar novos conceitos que irão organizar o planejamento, a programação e o controle da produção.

Nomus ERP Industrial

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Engenheiro de Produção formado pelo CEFET, possui experiência com PCP, Supply chain e qualidade.


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