Quais produtos devo incluir na lista de materiais?

Atualizado em 18/11/19 - Escrito por Celso Monteiro na(s) categoria(s): Engenharia de produto / Estratégia / Produção

MRP da teoria à prática

Início de projeto, treinamento sobre cadastro de lista de materiais, a pergunta é feita: “Preciso colocar o produto X na lista de materiais?” Eis aqui onde boas horas de discussão são feitas para que seja definida a modelagem do sistema. Se você já se depararou com essa situação no início do seu projeto de implantação de software ERP, anime-se, você não é o primeiro (e nem o último) a passar por isso…

De qualquer forma, se eu fosse definir o que é uma lista de materiais, diria que é a relação de itens e quantidade necessária para a produção de um determinado produto. Por se tratar de um cadastro tão importante para o bom funcionamento de qualquer sistema com foco em indústrias, a lista de materiais (Bill of materials – BOM) é a unidade básica para o funcionamento da gestão de estoque de qualquer fábrica.

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Para parametrizá-la corretamente a empresa precisa identificar quais itens são necessários para a produção do produto pai e também mensurar sua quantidade. Nem sempre é tão fácil identificar quais produtos devem ser relacionados à lista e quais não devem. Por esse motivo decidi estruturar esse artigo, para que possamos lhe ajudar a identificar qual a melhor composição de lista para os seus produtos produzidos.

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Lista de materiais

PRODUTOS A SEREM INCLUÍDOS

De forma simples, todos os itens que compõem diretamente o produto, devem ser relacionados à lista de materiais, bem com suas quantidades necessárias. Dessa forma, vamos usar um exemplo de um bolo de cenoura para estruturar a sua lista de materiais:


Com o exemplo podemos perceber claramente quais são os componentes que fazem parte da estrutura do nosso bolo de cenoura (não sou confeiteiro, portanto, não tentem fazer esse bolo com as  medidas que certamente não será uma boa ideia…rs) .Considerando que em algum lugar do planeta essa receita seja válida para a preparação de um bolo de cenoura,
 essa seria a lista de materiais a ser cadastrada no sistema e considerada para  cálculo de empenhos e todo o planejamento de estoques.

Portanto, os produtos incluídos devem compor o produto, seja em seu conteúdo ou para embalagem e identificação visual (etiqueta). Aqueles itens que são utilizados no processo de produção, mas que não compõem o produto e que são consumidos na ordem do produto também devem ser relacionados. Vamos imaginar que esse bolo seja  feito em uma forma descartável de folha de alumínio, ou seja, para cada bolo uma forma é utilizada, porém, a apresentação do produto em sua forma final de venda não comporta a forma. Nesse caso, a lista de materiais do nosso bolo de cenoura , especificamente do componente “Bolo assado“ deve conter essa forma como componente.

PRODUTOS A SEREM DESCONSIDERADOS

Em uma afirmação simplificada, não devem ser considerados, na lista de materiais, itens  que não possuem relacionamento direto  com a produção do produto ou que a sua necessidade seja dada mais pela máquina/recurso do que pelo pai da estrutura.

Utilizando o exemplo do bolo, vamos imaginar o gás natural consumido pelo forno para aquecê-lo. Bom , por mais que  o gás  seja um item comprado e que sua utilização é dada através da produção de bolos, este não deve ser incluído em sua lista de materiais. O gás não é um componente do bolo ele é um item consumido pelo forno para o seu funcionamento, bem como a energia elétrica , e outros itens pagos que são utilizados pela fábrica mas que não compõem o produto diretamente.

Portanto, gás, lubrificante de máquina, líquidos anti-abrasivos, etc, não devem aparecer em listas de materiais. Estes itens devem ser englobados apenas na análise de custo da máquina.

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Outros itens que não devem aparecer na lista são ferramentas/moldes utilizados na produção e que podem ser compartilhados por outros produtos no mesmo estado ou com pouco desgaste de uma produção para outra. No exemplo do bolo, se o mesmo fosse assado em uma forma de folha de alumínio, por se tratar de um item de uma única utilização, cada bolo utiliza uma forma  que não poderá  ser  reutilizada para a produção de qualquer outro produto. Porém, se  o bolo for produzido em uma forma antiaderente, e depois de utilizada poder ser lavada e reutilizada em outra fornada, este item não deve contar na lista de materiais do bolo.

Logo, ferramentas de corte, pastilhas de usinagem, formas , moldes, por mais que após um tempo de uso precisem ser trocados, estes produtos não devem ser  considerados como componentes .

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Em alguns casos, produtos que são consumidos e fazem parte da composição do produto também podem não ser relacionados em sua lista. Ainda em nosso bolo de cenoura, especificamente na cobertura de chocolate, imaginem que para preparar essa cobertura  seja necessário colocar um produto químico para corrigir o ponto do chocolate, e que a sua utilização seja esporádica e que é recorrida apenas quando o confeiteiro deixa o brigadeiro por mais tempo na panela.  Esse produto químico é vendido em embalagens do tamanho das  de fermento químico em pé de supermercado e um pote desse é consumido a cada 6 meses.

Até que você consiga mensurar quanto desse produto é utilizado para  cada bolo (utilizando uma média) você terá muito trabalho para mensurá-lo e os benefícios obtidos com essa precisão não irão representar muito impacto para a sua empresa ou para o seu planejamento de estoque. Portanto, itens que são consumidos em quantidades muito pequenas, e que não representam muito impacto no custo e na gestão de compras, podem ser suprimidos da lista tranquilamente.

Aplicando na prática

Com essas dicas acredito que vocês conseguirão caminhar bem na configuração das suas listas de materiais. Se tiverem alguma dúvida, deixem um comentário que ficaremos felizes em atendê-los. Caso tenha interesse em conhecer mais detalhes, assista uma demonstração do software Nomus ERP Industrial e veja na prática essas novidades.

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Engenheiro de Produção formado pelo CEFET e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Celso já atuou em fábricas de diversos setores, como: metal-mecânica, materiais de escritório, artefatos de concreto, perfuração, cabos e cordas navais, têxtil (confecção e tinturaria), reciclagem de metal, dentre outros segmentos.


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