Quais operações devo incluir no meu roteiro de produto?

Atualizado em 4/05/18 - Escrito por Celso Monteiro na(s) categoria(s): Engenharia de produto / Estratégia / Processos e Organização / Produção

Juntos, lista de materiais e roteiro de produto formam o que na Nomus chamamos de “Engenharia do produto”. Seguimos a sequência de artigos auxiliadores, após falar sobre os produtos que devem ser incluídos na lista de materiais, o qual buscava nortear gestores industriais a encontrar a composição correta de  suas  listas de materiais. Agora, indicarei neste artigo algumas dicas para que você consiga identificar quais operações devem ser consideradas para o roteiro de seus produtos e quais não devem, para que você consiga ter um roteiro limpo, objetivo e autoexplicativo.

Em linhas gerais, o roteiro de produto é um conjunto de operações que representam todas as atividades que precisam ser feitas para que ao seu final, seja possível ter o produto no estado esperado, ou para ser vendido ou para ser estocado e utilizado em outras ordens de produção que o utilizem em sua estrutura de materiais.

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Portanto, o roteiro de produto deve ser capaz de identificar, além das operações, quais centros de trabalho (setores) o produto passará, bem como recursos (máquinas) que serão utilizados e também informar os tempos de setup e de operação, tanto para o recurso  quanto para a mão de obra direta consumida pela atividade.

Pode parecer algo simples de se fazer, porém, esse  trabalho esconde algumas “pegadinhas” que geralmente vemos clientes caindo, na hora de configurar seus roteiros. Visando atender a essa demanda por orientações nesse cadastro tão importante para um Sistema de Gestão Industrial ERP, decidi montar esse artigo para mostrar que ainda há esperança para aqueles que vivem em dúvida nesta etapa…

QUAIS OPERAÇÕES DEVO INCLUIR

Em uma explicação simples, todas as operações que precisem ser realizadas, sejam por máquinas ou por pessoas e que agreguem algum tipo de valor ou realizem qualquer  transformação em relação estado inicial do produto, precisam  ser  identificados no roteiro. Caso a empresa as possua, também devem ser cadastradas todas  as  operações de inspeção do produto, sejam inspeções em processo ou final.

Vamos usar como exemplo o seguinte roteiro para a fabricação de uma cadeira:

Com essa relação de operações apresentadas, sabemos exatamente quais serão as operações a serem realizadas para a fabricação da nossa cadeira, bem como os centros de trabalho, recursos e tempos que cada uma precisará utilizar. É importante atentar para não deixar o campo Descrição da operação com verdadeiros Testamentos. Logo, neste campo tente deixar um texto claro e  objetivo sobre o que será realizado nesta  operação. Qualquer instrução de trabalho ou detalhamento de  como deve ser feita determinada etapa do roteiro, devem ser identificadas como informações complementares da operação e não como descrição da mesma.

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O tempo de cada operação também será importantíssimo para o planejamento da produção , portanto, tente informá-lo o mais próximo possível da realidade.

Assim como no exemplo,o seu roteiro deve ser o mais limpo possível e deve ser capaz de identificar  todas as etapas  que o produto  passará até  que o mesmo fique no estado de  ser enviado ao cliente ou estocado para ser utilizado no beneficiamento de outro produto.

QUAIS OPERAÇÕES NÃO DEVO INCLUIR

Esse é o grande questionamento…

Muitas  empresas pecam pelo preciosismo na hora de configurar seus roteiros e colocam operações além do necessário. Antes de configurar seu roteiro, certifiquem-se  que o seu bom senso esteja ligado, para que vocês não cadastrem operações a mais e também para que o seu roteiro tenha menos operações do que você precisa  para ter um bom planejamento da produção . Aconselho fazer as seguintes perguntas:

Operação possui tempo de processamento muito rápido ?

Operações de duração muito curta geralmente não são  muito aconselhadas de serem incluídas como etapas únicas do roteiro. Nestes casos de operações muito curtas, geralmente são acompanhadas de outras igualmente curtas e que poderiam ser  facilmente cadastradas como uma única etapa do roteiro.

Usando o exemplo  da cadeira, imagine que a operação 4 – Montagem de estrutura seja composta pelas seguintes ações

  • Parafusar assento/encosto com pé
  • Colocar proteção plástica nos parafusos
  • Colocar proteção plástica nos pés da cadeira
  • Colar etiqueta de lote na estrutura
  • Cortar rebarba do filme plástico que protege o assento/encosto

Todas essas atividades são muito rápidas, feitas pela mesma pessoa e em sequência, ou seja, criar todas essas ações como operações do roteiro do produto representa um preciosismo que não vai trazer muito benefício para a gestão da sua fábrica, a não ser que a atividade de Cortar rebarba do filme plástico que protege o assento/encosto seja primordial  para todo o seu planejamento de produção. Caso ele ou qualquer uma dessas atividades não representem, individualmente, muita representatividade nos resultados da produção, você pode criar uma operação única e controlar o tempo de produção de todas essas ações dentro dela.

É uma Operação de transporte ou espera entre setores?

Operações de transporte não são aconselhadas para o cadastro do roteiro, pois não são atividades que transformem ou agreguem valor produção de fato,são apenas movimentação que o produto precisará fazer para que ele esteja disponível no setor em que ocorrerá a próxima operação.

Operações do tipo Esperar matéria prima ser alocada na máquina também não podem ser consideradas no roteiro.  O tempo de  preparação para a operação, seja para a colocação das matérias primas quanto de setup de máquina devem ser considerados como Setup de uma operação e não como uma operação individual.

A  operação diz respeito a outro produto/componente da lista de materiais?

Tome muito cuidado para não colocar no roteiro de produto operações que não representem o produto e sim a um dos componentes de sua estrutura.  Digamos que a cadeira seja composta de três produtos semiacabados que a empresa precise fabricar para  depois serem utilizadas na ordem da cadeira: Assento, encosto e pernas.  Se esse  fosse o caso, o roteiro identificado no nosso exemplo não seria válido pois a  operação  1 – Costura de assento e   encosto deveriam ser cadastradas não no roteiro da cadeira mas sim no roteiro do assento e do encosto, respectivamente.

O próximo passo

Agora, que você já sabe tudo sobre roteiro de produto, reveja seus cadastros e tente aproveitar o máximo possível do conteúdo apresentado neste artigo, tenho certeza que seus resultados serão muito potencializados caso alguma dessas dicas possa ser aproveitada para aperfeiçoar os roteiros que você já tinha criado e para  os novos que você precise cadastrar. Se você necessita  de alguma orientação deixe seu comentário e compartilhe conosco sua dúvida.

Caso tenha interesse em conhecer nosso sistema e saber um pouco mais sobre como a Nomus pode ajudá-lo a melhorar o desempenho da sua empresa, assista uma demonstração do software Nomus ERP Industrial e veja na prática.


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Engenheiro de Produção formado pelo CEFET e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Celso já atuou em fábricas de diversos setores, como: metal-mecânica, materiais de escritório, artefatos de concreto, perfuração, cabos e cordas navais, têxtil (confecção e tinturaria), reciclagem de metal, dentre outros segmentos.


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