Como o produto fantasma pode ser uma forma incrível de estruturar melhor sua empresa

Atualizado em 22/05/20 - Escrito por Celso Monteiro na(s) categoria(s): Engenharia de produto / Estratégia / Processos e Organização / Produção

Gestão financeira

Pode parecer algo de “outro mundo”, e geralmente as empresas o encaram como tal, mas, saiba que produtos fantasmas são uma excelente forma  de organizar e configurar uma lista de materiais perfeita para seus produtos.

Diferente do que pode parecer pelo nome, eles não são uma espécie de produtos que se escondem nos cantos escuros do estoque e só aparecem para assustarem os gestores desavisados. Produtos fantasmas são cadastros que a empresa não controla seu estoque e não são fabricados nem comprados, servem apenas para compor uma “receita” padrão e serem utilizados na composição dos demais produtos fabricados.

Desta forma , o produto fantasma possui uma lista de materiais definida, porém, não pode ser fabricado e nem comprado. Quando relacionado como um componente em uma lista de materiais, o produto fantasma serve apenas para “emprestar” a  sua receita padrão para o produto pai da estrutura, facilitando assim a identificação da quantidade necessária de cada componente da lista de materiais do fantasma na estrutura do produto pai, que será fabricado.

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Pode parecer um conceito de outro mundo e você nesse momento deve estar pensando: “O que ele está dizendo?” Eu sei que no primeiro momento o termo causa certa estranheza e que a sua explicação pode ser muito abstrata, mas, assim como em qualquer post que apresento no Blog Industrial, darei uma explicação pautada em exemplos para que a fixação deste tema seja acompanhada de uma situação real, onde  modelagem de um produto fantasma seja a solução mais indicada  para configurar a lista de materiais dos produtos fabricados.

Como identificar que o produto fantasma pode ser usado?

As  perguntas que eu sempre  faço para as empresas , quando tentamos identificar se  as mesmas precisarão cadastrar produtos fantasmas, são:

1)  Possui “receitas” padrão , com composição bem definida, e que pode ser compartilhada para vários produtos ?

2)  Você abre ordens de produção para fabricar essas “receitas” ou controla o saldo em estoque delas ?

Se a resposta para essas  duas perguntas for 1) e 2) = ”Sim” ou 1) e2) = “Não”, não há qualquer possibilidade da sua empresa utilizar uma modelagem por produtos fantasmas. Todo produto fantasma, para fazer sentido, precisa ser composto de uma lista de materiais (receita) padrão e não deve ser fabricado nem precisar controlar saldo em estoque.  A partir dessa última afirmação, só podem ser utilizados produtos fantasmas quando as respostas para as duas perguntas for 1) “Sim” e 2) “Não” .

Vamos ao exemplo…

Imagine uma fábrica de pisos e blocos de concreto. Os pisos e os blocos de concreto possuem resistências à pressão diferentes entre si e, portanto, possuem traços (receitas de concreto) diferentes para serem utilizadas em cada produto, de acordo com cada resistência do bloco. Logo, para alcançar mais resistência, um traço usado para fabricar o bloco de 2MPa deve conter mais cimento em sua composição do que um traço utilizado no bloco de 5Mpa .E o mesmo traço do bloco pode ser utilizado na formação do piso, ou seja, o traço de 2MPa é compartilhado para todos os blocos de 2MPa e todos os pisos com a mesma resistência à pressão.

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Nessa fábrica, o traço não é um produto fabricado e nem possui um controle de estoque, é apenas uma receita padrão para alcançar determinada resistência que os gestores a utilizam na composição dos produtos fabricados.

Essa é uma situação excelente para se aplicar a modelagem de produto fantasma, pois a empresa possui várias receitas padronizadas e não controla estoque nem abre ordens de produção para a mesma.

Benefícios de se usar produtos fantasmas

Vamos seguir com o exemplo da fábrica de concretos. Imagine que a composição do traço com resistência de 2MPa seja a seguinte:

Não sou Engenheiro civil nem tenho qualquer conhecimento das proporções e técnicas de composição para formação dos traços,portanto, peço desculpas aos catedráticos no tema se o meu traço ficar totalmente fora de padrão. Mas, dentro do exemplo apresentado, são formados 500Kg de “Traço 2MPa” com a utilização de todos  esses produtos nas respectivas quantidades .

Agora, vamos assumir que, para a fabricação de cada “Piso de 2MPa” tenhamos a seguinte lista de materiais:

Se a empresa não utilizasse a modelagem por produto fantasma, seria necessário calcular manualmente e informar na lista de materiais do “Piso de 2MPa” a quantidade necessária de cimento, pó de pedra, e todos os componentes do “Traço de 2MPa” . Isso representaria um trabalho muito maior do que cadastrar esse traço como um produto fantasma,identificar a sua lista de materiais e o próprio sistema calcular , com base no consumo de traço para cada unidade de “Piso de 2MPa” , as quantidades necessárias de cada Matéria prima. Caso a empresa optasse pela modelagem de produto fantasma, seriam calculadas as seguintes quantidades:

Ao abrir uma ordem de produção para o “Piso 2MPa” já seriam empenhados diretamente as Matérias primas , sem necessitar abrir uma ordem para fabricar o traço, pois o mesmo é um produto fantasma.  Note como a solução traz mais agilidade nos cadastros e centraliza a composição de matérias primas em um único item “Traço de 2MPa” , inclusive  para facilitar qualquer mudança nessa receita padrão. Se por algum motivo essa receita precise ter as proporções alterada, basta mudar a lista de materiais do produto fantasma que todos os produtos fabricados através dele terão sua composição alterada automaticamente.

Veja na prática

Viu como é fácil? Se a sua empresa  se identifica com as características necessárias para a aplicação dessa modelagem, sinta-se confiante de que essa solução poderá trazer muito mais agilidade na configuração da lista de seus produtos. Caso tenha interesse em conhecer mais detalhes, assista uma demonstração do software Nomus ERP Industrial e veja na prática como aplicar essa funcionalidade

Nomus ERP Industrial

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Engenheiro de Produção formado pelo CEFET e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Celso já atuou em fábricas de diversos setores, como: metal-mecânica, materiais de escritório, artefatos de concreto, perfuração, cabos e cordas navais, têxtil (confecção e tinturaria), reciclagem de metal, dentre outros segmentos.


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