APQP: o que é e como a ferramenta pode definir produtos de sucesso

Atualizado em 15/10/19 - Escrito por José Luiz Batistão na(s) categoria(s): Controle de qualidade / Qualidade

Gestão da Qualidade

APQP (Advanced Product Quality Planning) é uma ferramenta de gestão para o Planejamento Avançado da Qualidade do Produto e é utilizada para garantir a qualidade dos produtos fabricados.

A ferramenta APQP para gestão

Neste artigo vou apresentar uma ferramenta poderosa que potencializa e define produtos de sucesso.

Quando eu atribuo a um produto um nível de sucesso eu quero dizer que esse produto gera segurança e satisfação à clientes e consumidores.

Quero falar de produtos onde o grau de retorno de reclamação é zero (ou muito próximo do zero) e que passaram pelo crivo de uma ferramenta incrível utilizada por mim com sucesso, em empresas industriais que estavam iniciando a sua produção e não tinham, ainda, o expertise necessário para colocar seus novos insumos no mercado.

Estou falando de uma ferramenta denominada APQP – Planejamento Avançado da Qualidade do Produto, desenvolvida no final da década de 1980, por uma associação das grandes marcas Ford, General Motors e Chrysler.

Meu nome é José Luiz Batistão e sou proprietário da empresa Primicon, uma consultoria responsável pela implantação de sistemas de gestão da qualidade utilizando a Norma ISO 9001. Mais de meu perfil pode ser visto em: www.linkedin.com/in/josé-luiz-batistão-bb839a44/

Vem comigo neste artigo e poderemos, juntos, construir um conhecimento relevante para obter sucesso no desenvolvimento de novos produtos, que gerarão a segurança e os retornos de satisfação tão esperados.

Por que o APQP é importante?

Todos os profissionais relacionados ao sistema produtivo de uma indústria já devem ter sentido na pele o incomodo de receber reclamações de produtos com defeitos no cliente e numa situação até mais complicada – produtos que já estão instalados no consumidor final e que necessitam, urgentemente, de uma atividade de recall, sem falar das exigências legais relacionadas à garantia do produto e que geram prejuízos extraordinários, principalmente se o produto estiver atendendo um requisito de segurança.

Quero te mostrar aqui que atitudes relativamente simples, utilizando ferramentas eficazes de gestão, podem ajudar a melhorar o relacionamento com seu cliente, tornando seu processo produtivo eficiente e seguro.

O que vou te mostrar aqui poderá ajudá-lo a iniciar um sistema de gestão totalmente voltado para o início de uma linha produtiva segura, porém o conhecimento pleno do APQP poderá ser obtido através do Manual do IQA mostrado abaixo:

Manual APQP

Manual do APQP. Fonte IQA

Vamos aos passos iniciais então? Chame sua equipe da qualidade, defina um gestor competente para implementar o APQP e poderão, hoje mesmo, dar início a um sistema de gestão robusto baseado nessa ferramenta incrível.

Lembrando que, neste artigo, minha abordagem será para produtos cujos projetos não são de competência da sua organização, mas do seu cliente, ou seja, você recebe os requisitos já prontos do cliente.

Para produtos cujos projetos são de competência da própria organização a abordagem é um pouco diferenciada e vamos tratar dessa questão em outro artigo.

Isso é importante para trabalharmos com foco na simplicidade das abordagens.

Vamos à ferramenta:

Quais são as fases do APQP?

Primeiro preciso te falar das fases em que o APQP está constituído. São cinco ao todo. São elas:

  • Decisão de fornecimento
  • Desenvolvimento do produto
  • Desenvolvimento dos processos de fabricação
  • Validação do produto e processo
  • Melhorias

Fase 1: Decisão de Fornecimento.

Aqui a organização terá que decidir se fará o fornecimento do produto para o cliente solicitante. Uma acurada análise crítica dos requisitos deve ser levada em consideração.

Como falei anteriormente, estamos analisando um caso em que o projeto é de total responsabilidade do cliente e cabe ao fornecedor que está sendo solicitada a produção uma análise de viabilidade do projeto apresentado.

Desenhos devem ser solicitados, detalhes técnicos do projeto precisam ser avaliados para estudos de custos, cadeias de sub-fornecedores devem ser estabelecidas e se houver detalhes duvidosos devem ser esclarecidos com o cliente solicitante do projeto.

Perguntas como:

  • O que consta no desenho?
  • Existem características de segurança e/ou especiais ou somente devo atentar para questões dimensionais?

Os critérios técnicos do desenho precisam ser analisados tais como:

  • Projeção;
  • Operações de fresa, retífica, etc.
  • Matérias primas envolvidas;
  • Dimensionais especiais;
  • Tolerâncias envolvidas;
  • Ferramental;
  • Características mecânicas/químicas;
  • Normas regulamentadoras do produto, etc.

Após uma cuidadosa avaliação do projeto e a aceitação do mesmo por parte do fornecedor, detalhes do contrato deve ser fechados.

Questões legais como a garantia devem ser muito bem definidas, pois o custo de retrabalhos e recall é altíssimo principalmente quando o produto esta inserido em critérios de segurança.

Definido os detalhes de análise do projeto, sua viabilidade e o fechamento do contrato de fornecimento, pode-se, então, passar para a próxima fase – Desenvolvimento do Produto.

Fase 2: Desenvolvimento do produto

Legal! Chegamos, agora, no início do desenvolvimento do novo produto após a verificação criteriosa dos requisitos da fase1.

Se na fase 1 a demanda orientava para as estratégias comerciais e de custos, agora somos levados a olhar o novo projeto sob a ótica produtiva.

O alvo, aqui, é a produção de um protótipo. Para isso será necessário a preparação de ferramentas e de matéria prima para a confecção do mesmo.

Nesta fase também, se o cliente não possui um procedimento específico de embalagem, identificação e rastreabilidade, caberá ao fornecedor desenvolver o seu procedimento de embalagem.

Se, após o envio do protótipo para o cliente, o mesmo não foi aprovado, correções devem ser feitas e reenviadas. Quando o mesmo sofrer aprovação por parte do cliente, pose-se então passar para a fase 3 – Desenvolvimento dos processos de fabricação.

Fase 3: Desenvolvimento dos processos de fabricação

Uma vez aprovado o protótipo podemos respirar mais aliviados e partir para a terceira fase que demandará boa atuação do gestor do APQP.

Em posse do desenho e das análises feitas na fase 1 deve-se definir questões relacionadas ao dimensional.

A primeira pergunta a ser feita é: Na fase 1 foi detectado no projeto cotas especiais? Aquelas que são pertinentes ao bom funcionamento do produto?

Por exemplo: podem existir cotas críticas que com o passar do tempo trará desgastes e problemas de qualidade naquela região no produto. Se o cliente não definiu cotas críticas, o fornecedor deverá definir (em conformidade com o ciente) quais as cotas importantes que deverão ser monitoradas e controladas em seu processo produtivo.

Uma vez definidas as cotas que serão monitoradas e controladas no processo produtivo as mesmas devem sofrer duas ações:

  1. Marcação no desenho dessas cotas. Esse processo é comumente conhecido como boleamento.
  2. Transferir as cotas boleadas para um documento denominado Relatório Dimensional. Esse documento deve possuir as seguintes informações:
  3. Descrição do Produto, código e revisão;
  4. Cotas definidas no boleamento, unidade de medida utilizada, as medidas especificadas do projeto e tolerâncias;
  5. Medidas encontradas. Aqui serão registradas as reais dimensões encontradas na saída produtiva e se há desvios. Desvios dimensionais encontrados no relatório devem ser considerados como não conformidades do processo produtivo. Ações devem ser implementadas junto com o cliente e podem resultar em: ajustes de projeto, aceite condicional das medidas não conformes ou mesmo retrabalho das ferramentas.

Após o aceite pelo cliente do relatório dimensional, os seguintes documentos devem ser elaborados pelo gestor do APQP:

  • Plano de Controle;
  • PFMEA;
  • Fluxo de Processos;
  • MAS – Estudo de R&R;
  • Fichas FISPQ, se pertinente ao produto;
  • Certificados de validade de matérias primas;
  • Carta de CEP;
  • Layout do espaço produtivo;
  • Procedimentos necessários

Ok! Sei que a lista desses documentos deve ter despertado dúvidas; mas são necessários e existem treinamentos específicos para eles no próprio IQA, como na Primicon.

Após a criação dos documentos relacionados acima podemos, então, passar para a quarta fase – Validação do produto e processo

Fase 4: Validação do produto e processo

O cliente precisa saber o que está sendo feito nos processos produtivos com seu produto que foi confiado ao fornecedor.

A ferramenta utilizada para isso denomina-se PPAP – Processo de Aprovação de Peças de Produção.

É feito, então, o primeiro lote piloto do produto.

Cabe aqui ressaltar que esse lote piloto é diferente do protótipo elaborado na fase 2. Lá o objetivo era criar ferramentas e ambiente adequados; aqui o objetivo é a aprovação pelo cliente para que o produto seja distribuído ao mercado.

O documento PPAP deve acompanhar o lote piloto e, uma vez aprovado, o produto poderá entrar em linha de produção e distribuído.

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Fase 5: Melhorias

O ciclo PDCA (do inglês: PLAN – DO – CHECK – ACT ou Adjust) deve ser aplicado nesta fase. Entendemos que o produto aprovado e distribuído ao mercado deva manter seu padrão de qualidade.

A ideia do PDCA é, portanto, criar melhorias para que esse produto atenda e satisfaça cada vez mais ao cliente.

As seguintes atividades podem ser desenvolvidas para aplicar o PDCA ao produto:

  • Reduzir variações de processo;
  • Captar a satisfação do cliente;
  • Melhorar entregas;
  • Desenvolver assistência técnica;
  • Brainstormingdas lições aprendidas;
  • Desenvolver melhores práticas;
  • Receber sugestões de melhoria por parte do cliente;
  • Auditorias de processo e de produto, etc.

O que não fazer no seu APQP

Quero finalizar este artigo destacando o que NÃO DEVE SER FEITO.

Muitas organizações desenvolvem seu APQP apenas para manter documentações. Se as fases descritas aqui forem respeitadas o sucesso é garantido.

A aplicação correta depende de todos os envolvidos no projeto.

Sucesso ao aplicar a ferramenta de gestão APQP em sua empresa!

Software ERP Para controle da qualidade

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Formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça, SP. - Melhorias e revisões de normas técnicas na ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. - Participação no Comitê ABNT/CB-016 Comitê Brasileiro de Transportes e Tráfego. - Participação no Comitê Brasileiro da Qualidade ABNT/CB-025. - Professor SENAI Marília. - Professor no Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. - Professor na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. - EMBRATEL - Empresa Brasileira de Telecomunicações.


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