Impactos financeiros do excesso de materiais: “Compro mais materiais do que o necessário”

Atualizado em 5/11/19 - Escrito por Thiago Leão na(s) categoria(s): Processos e Organização / Produção

Custos industriais

Você sabe quais são as dores da sua indústria? Quais problemas te impedem de crescer e expandir seu negócio? Começa a série Dores da Indústria, onde mostramos para você o tratamento adequado para solucionar suas dificuldades e qual o impacto financeiro em sua indústria.

Neste artigo você pode conferir em vídeo e a transcrição completa do sétimo Dores da Indústria, onde falamos sobre comprar mais materiais do que o necessário . Esse problema está diretamente ligado ao excesso de estoques de matérias primas. Mostramos qual é o impacto financeiro em sua indústria e como buscar a solução desse grupo de tratamento voltado ao Planejamento da produção e compras, com geração de ordens de produção e MRP.

VEJA MAIS – O que é o MRP, para que serve e quais os seus segredos

Talvez você nem saiba como esse problema possa estar afetando sua indústria. Clique no vídeo e veja melhor o tratamento dessa dor:

Esperamos ter te ajudado a identificar e tratar esse sintoma. Curta o vídeo, compartilhe e faça seu comentário, para podermos responder mais dúvidas. Sua interação é muito importante para nós.

Aguarde o próximo vídeo da série Dores da Indústria, toda quinta-feira, no Blog Industrial. Assista uma demonstração do nosso ERP Industrial e também acompanhe a Nomus no Papo de Produção.

Veja os outros vídeos da série Dores da indústria

TranscriçãoCompro mais materiais do que o necessário

Vamos dar sequência, falando das dores que estão no grupo das dores relacionadas ao tratamento: Planejamento da produção e compras, com geração de ordens de produção e MRP. Esse tratamento vai ajudar, sobretudo, a trazer um equilíbrio maior dos estoques. Resumindo, é a sua indústria não ter falta, nem excesso de estoque. Nos primeiros quatro vídeos, do Dores da Indústria, falamos sobre ter falta de estoque de produtos acabados, de matéria prima. Recentemente, falamos sobre os problemas causados pelo excesso de estoque de produto acabado.

O tema de hoje é o excesso de estoques de matérias primas, o que não foge muito dos problemas causados pelo excesso de estoque de produtos acabados. É claro, que o problema está em uma ponta diferente da cadeia de suprimentos. Um está no início do processo de produção, anterior as etapas de transformação, porque a produção industrial, nada mais é do que, você transformar, de uma maneira muito simplificada, matéria prima em produto acabado. A matéria prima está aguardando esse processo de transformação e o produto acabado está aguardando a entrega para o cliente, a venda.

Assim como o excesso de produto acabado gera problemas, que já comentamos no Dores da Indústria, de perda de material, podendo passar da validade, ficar obsoleto, ser danificado pela armazenagem. A matéria prima também pode ter esses problemas, perdendo por obsolescência, danificada na movimentação, caso haja o excesso. Também pode representar dinheiro parado. O estoque é um ativo dentro dos relatórios contábeis, sendo também “dinheiro parado”.Se você tem excesso de estoque, poderia estar aplicando esse dinheiro, ou se você recorre a capital de terceiros, empréstimos bancários para ter capital de giro,dentro da sua indústria, e está com excesso de estoque, você está jogando dinheiro fora.

Perdendo dinheiro…

Quais são as perdas financeiras, fora as que já mencionamos, que o excesso de materiais pode trazer para a sua indústria? O que eu penso, para sair dos exemplos anteriores, um exemplo de perda financeira, quando temos excesso de estoque de matéria prima, por comprar mais do que o necessário, ou seja, eu não tenho planejamento de compras adequado e acabo comprando mais do que eu realmente preciso . Então, um problema sério que isso vai causar na indústria é a utilização de mais espaço do que o necessário. Você vai naturalmente ocupar mais espaço e todo espaço tem um custo.

Custos industriais

Como você vai medir isso? O importante do Dores da Indústria é pensar junto uma forma de medir. Pegue papel e caneta, use o bloco de notas do seu computador e comece a escrever algumas ideias de como você pode calcular perda financeira por ter excesso de estoque. Seu espaço é alugado? É próprio? Nos dois casos, recomendo que você pense o valor do aluguel, de um espaço equivalente. Ele sendo próprio, você tem um custo de oportunidade, poderia estar alugando esse espaço. Além do valor do aluguel, temos outros custos associados ao espaço, como energia elétrica e IPTU. Você pode enumerar esses custos e fazer uma estimativa do total do espaço que sua indústria utiliza.Basta ir no almoxarifado ver quanto de espaço está sendo consumido para armazenar esse excesso de estoque de matéria prima.

Como saber se esse material está em excesso?

Japoneses trouxeram, desde o pós Segunda Guerra Mundial, com a evolução do Sistema Toyota de produção, o conceito do Just in Time, do estoque zero, de ter o estoque somente no momento da necessidade. Partindo desse princípio, qualquer estoque é desnecessário. Implantando o MRP, você vai conseguir manter seu atendimento, reduzindo drasticamente os níveis de estoque.

Não tem como, sem conhecer a realidade da sua indústria, falar o quanto pode ser reduzido, mas podemos fazer alguma estimativas. Para fins didáticos, vamos supor que você reduza pela metade a área de estocagem da sua indústria. Fazendo um cálculo, relativamente simples, supondo que sua indústria tenha um custo de espaço, somando todos aqueles itens já mencionados anteriormente, vamos fazer uma estimativa de R$20 mil, por mês, com um galpão de 1000m², sendo 100m² destinados a armazenagem de estoque de matéria prima. Ou seja, de R$20 mil, 10% desse espaço para o estoque, sendo R$2 mil, por mês, você está utilizando no custo de armazenagem. Desses R$2 mil, se você conseguir reduzir pela metade, vai economizar mil reais, por mês, por não comprar mais materiais do que o necessário.

Impacto financeiro

Pode ser que seus números sejam diferentes, mas é importante fazer essa reflexão do impacto financeiro, causado por ter excesso de estoque de matéria prima. Pegar números reais, números práticos, os seus números, de preferência, e colocar no papel e começar a fazer conta. Cada caso vai ser um caso, não tem como chegar a sua realidade específica, mas essa é uma fonte de perda financeira: o espaço adicional, que está sendo utilizado.

Custo de oportunidade

Temos outras situações, que vão muito além do valor do aluguel. Você pode imaginar uma situação que sua empresa tem um gargalo, por exemplo, e você não consegue produzir mais, porque uma determinada máquina é o gargalo e se você colocasse outra máquina, dobraria a produção, dobrando seu faturamento. Mas você não consegue ter mais uma máquina, por faltar, justamente, 50m² no seu chão de fábrica. Você pode tirar esse espaço do almoxarifado, de matéria prima.

Nós temos alguns cliente, empresas que temos contato, que têm a produção no próprio ponto de venda, geralmente no ramo de alimentos. A empresa tem a produção de alimentos e o ponto de vendas juntos. Uma confeitaria, por exemplo, que surgiu em uma condição pequena para atender o ponto de venda, e foi crescendo de uma forma que a produção precisou aumentar muito, assim como os estoques. Imagina conseguir economizar espaço no local em que o espaço caro, que a produção está junto do ponto de venda. Você pode aumentar o espaço para os clientes, por exemplo, não necessariamente aumentar o espaço para colocar mais uma máquina.

É importante refletir o quanto esse espaço que está sendo consumido, desnecessariamente, para estocar matéria prima, poderia estar sendo utilizado de outras formas, para outras funções e poderia estar gerando mais dinheiro. Então, a perda financeira pode ir muito além do a simples economia no aluguel do espaço.


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Engenheiro Mecânico Industrial formado na UERJ e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Thiago já atuou em fábricas de diversos setores, como: Embarcações, perfuração submarina, metal-mecânica, materiais de escritório, alimentício, cosméticos e tubulação.