Atualizado em 17/09/26 - Escrito por Mário Sérgio Corsini na(s) categoria(s): Recursos Humanos
Em um ambiente empresarial marcado pela pressão por resultados, redução de custos, transformação tecnológica e necessidade permanente de competitividade, a produtividade tornou-se uma das principais preocupações das organizações.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre trabalhar mais, produzir mais e gerar mais valor.
O princípio central é a produtividade: gerar maior quantidade ou qualidade de resultados utilizando a mesma quantidade de recursos — ou obter o mesmo resultado com menos recursos.
Uma formulação mais idealizada economicamente seria:
“Não é trabalhando mais que o necessário que irá gerar mais valor; é, sim, produzindo mais valor por unidade de trabalho, tempo e recursos empregados.”
Uma equipe pode realizar inúmeras atividades durante uma jornada de trabalho e, ainda assim, contribuir pouco para os resultados econômicos da organização.
Uma máxima que irá elucidar melhor seria:
“O verdadeiro ganho econômico não está em trabalhar mais, mas em transformar melhor o trabalho em valor.”
Da mesma forma, um colaborador pode executar uma quantidade relativamente menor de tarefas, mas produzir soluções, reduzir desperdícios, evitar erros, melhorar processos ou gerar receitas que representem impacto econômico significativo.
Essa diferença conduz a uma questão estratégica:
A empresa está realmente medindo produtividade ou apenas contabilizando esforço e volume de atividades?
A resposta exige uma mudança de perspectiva. Produtividade não deve ser compreendida exclusivamente como quantidade produzida em determinado período. É necessário relacioná-la à qualidade, aos recursos empregados, aos custos envolvidos e, principalmente, ao valor econômico gerado.
Uma formulação ideal seria:
“Quantidade produzida é medida de volume; produtividade é medida de eficiência. O verdadeiro ganho econômico ocorre quando a organização consegue transformar os mesmos recursos em maior quantidade e qualidade de resultados.”
Nesse contexto, o desempenho dos colaboradores assume importância estratégica.
Conhecimentos, competências, comportamentos, capacidade de decisão, criatividade e comprometimento podem representar fontes relevantes de geração de valor.
A lógica é que recursos não geram valor sozinhos. É a capacidade humana de utilizá-los de forma inteligente que transforma recursos em resultados.
Por outro lado, absenteísmo, presenteísmo, turnover, retrabalho, erros, conflitos e baixa motivação podem representar perdas econômicas que muitas vezes permanecem dispersas entre diferentes áreas da organização.
Uma máxima inquestionável é:
“O custo da improdutividade não está apenas naquilo que o colaborador deixa de produzir, mas também naquilo que a organização precisa gastar para corrigir, substituir, refazer e compensar o que não foi realizado adequadamente.”
O desafio contemporâneo, portanto, não consiste apenas em aumentar a produtividade. Consiste em transformar desempenho em valor econômico sustentável.

Uma das primeiras distinções necessárias é compreender que produção e produtividade não são conceitos equivalentes. Produção representa o volume de bens ou serviços realizados. Produtividade, por sua vez, estabelece uma relação entre aquilo que foi produzido e os recursos utilizados para produzir.
De maneira simplificada:
Produtividade = Resultado obtido ÷ Recursos utilizados
Assim, duas empresas podem produzir a mesma quantidade e apresentar níveis diferentes de produtividade.
Imagine duas unidades industriais que produzam 100 mil peças por mês. A primeira utiliza 150 colaboradores e apresenta baixo índice de retrabalho. A segunda utiliza 170 colaboradores, apresenta maior consumo de matéria-prima, mais horas extras e maior índice de não-conformidade.
Embora ambas apresentem o mesmo volume de produção, os resultados econômicos provavelmente serão diferentes. Isso demonstra que volume não é suficiente para avaliar produtividade. Uma análise adequada precisa considerar simultaneamente:
Quantidade + Qualidade + Tempo + Custos + Recursos + Resultado.
No ambiente empresarial, existe uma tendência de confundir esforço com desempenho.
Um colaborador que permanece ocupado durante toda a jornada pode transmitir a impressão de elevada produtividade.
Entretanto, estar ocupado não significa necessariamente estar produzindo valor.
Reuniões excessivas, retrabalho, deslocamentos desnecessários, atividades burocráticas, correções de erros e tarefas que poderiam ser automatizadas podem consumir grande quantidade de tempo sem produzir resultados proporcionais.
Por isso, uma pergunta importante para os gestores é:
O que os colaboradores estão fazendo ou qual valor estão gerando?
A mudança parece pequena, mas possui consequências importantes.
Quando a organização passa a analisar o valor gerado, deixa de concentrar sua atenção apenas no volume de atividades e começa a identificar quais ações efetivamente contribuem para os objetivos estratégicos.
O desempenho de um colaborador não pode ser analisado isoladamente do contexto em que ele trabalha.
Um profissional pode possuir excelente conhecimento técnico e, mesmo assim, apresentar desempenho abaixo do esperado devido a processos inadequados, falta de recursos, liderança deficiente ou ausência de informações.
A relação entre processos inadequados, falta de recursos, liderança deficiente, ausência de informações e conhecimento técnico é essencial para compreender por que um colaborador competente nem sempre consegue apresentar alta produtividade.
Da mesma maneira, um colaborador tecnicamente preparado pode gerar resultados superiores quando possui autonomia, objetivos claros, ferramentas adequadas e feedback consistente.
A relação entre autonomia, objetivos claros, ferramentas adequadas e feedback consistente, e o conhecimento técnico demonstra que saber fazer não é suficiente para garantir produtividade. O conhecimento precisa encontrar um ambiente organizacional que permita sua aplicação.
O conhecimento técnico adequado representa a capacidade do profissional de executar corretamente determinada atividade. Porém, essa capacidade pode não se transformar em resultado quando faltam condições básicas de desempenho.
Portanto, o desempenho pode ser compreendido como resultado da interação entre diferentes elementos:
Competência + Condições de trabalho + Comportamento + Gestão + Processos = Desempenho
Imagine um profissional altamente capacitado, mas que precisa solicitar autorização para cada pequena decisão, não conhece claramente suas metas, trabalha com sistemas inadequados e não recebe retorno sobre seu desempenho.
Nesse caso, a empresa possui capital humano, mas não está conseguindo convertê-lo integralmente em produtividade. Essa relação é especialmente importante porque impede que a organização atribua automaticamente ao indivíduo a responsabilidade por problemas que podem ter origem estrutural.
Antes de concluir que um colaborador é improdutivo, a empresa precisa investigar se o colaborador possui capacitação adequada, se os processos estão corretamente estruturados, se as metas são claras, se existem recursos suficientes, se a liderança oferece orientação, se há excesso de burocracia, se existe retrabalho, se o ambiente favorece a concentração e se os indicadores utilizados realmente representam valor.
A produtividade começa, portanto, pelo diagnóstico correto.
O comportamento humano costuma ser tratado como uma variável subjetiva. Entretanto, seus efeitos podem ser bastante objetivos.
Motivação, comprometimento, capacidade de relacionamento, tomada de decisão, inteligência emocional e disposição para aprender podem influenciar diretamente a qualidade e a velocidade da execução das atividades. O mesmo ocorre com comportamentos negativos.
Desmotivação, resistência às mudanças, conflitos, negligência, falta de comprometimento e decisões inadequadas podem provocar erros, atrasos, retrabalho, desperdícios, perda de clientes, aumento de custos e queda da produtividade.
Isso significa que o comportamento não deve ser analisado apenas sob uma perspectiva psicológica ou de gestão de pessoas. Ele também pode ser analisado sob uma perspectiva econômica. A pergunta passa a ser:
Pela ótica econômica, o comportamento do colaborador não deve ser analisado apenas como uma questão subjetiva ou de gestão de pessoas, mas também como um fator capaz de aumentar ou reduzir a geração de valor.
O colaborador utiliza recursos organizacionais como tempo, conhecimento, equipamentos, tecnologia e capital para produzir bens, serviços e resultados. A maneira como ele utiliza esses recursos influencia diretamente a eficiência e os custos da organização.
Quanto custa para a organização um comportamento que reduz produtividade?
E, no sentido inverso:
Quanto valor pode ser gerado por comportamentos que melhoram o desempenho?
Um comportamento que reduz a produtividade pode gerar custos, mesmo quando não existe uma despesa financeira imediatamente identificável.
Por exemplo, um colaborador que apresenta baixa motivação, resistência, falta de comprometimento ou dificuldade de cooperação pode provocar comportamento inadequado; menor esforço produtivo; decisões inadequadas; erros, atrasos, conflitos e retrabalho; maior consumo de recursos; aumento do custo operacional; menor margem e menor valor econômico.
Algumas das maiores perdas empresariais não aparecem claramente como uma única linha nos demonstrativos financeiros. Elas estão distribuídas em diferentes processos.
Considere uma organização que apresenta aumento de horas extras, crescimento do retrabalho, maior rotatividade, aumento do absenteísmo, queda na qualidade, atrasos na entrega e reclamações de clientes.
O raciocínio inverso também é verdadeiro. Comportamentos como comprometimento, proatividade, cooperação, criatividade, responsabilidade e capacidade de decisão podem aumentar a capacidade da organização de transformar recursos em resultados.
Cada problema pode estar sendo administrado por uma área diferente.
Recursos Humanos acompanha turnover e absenteísmo. Produção acompanha produtividade. Qualidade acompanha defeitos. Financeiro acompanha custos. Comercial acompanha reclamações e perda de clientes. Nesse caso:
Valor adicional = ganhos de produtividade + redução de custos + melhoria da qualidade + inovação + oportunidades capturadas.
O problema é que esses indicadores podem estar relacionados. Uma determinada causa comportamental ou organizacional pode produzir efeitos em várias áreas simultaneamente.
Por isso, a gestão da produtividade precisa desenvolver uma visão sistêmica.
Absenteísmo, presenteísmo e turnover são fenômenos que ultrapassam a dimensão tradicional da Gestão de Pessoas e podem representar custos relevantes para as organizações.
6.1 Absenteísmo
O absenteísmo representa a ausência do colaborador durante o período em que deveria estar disponível para o trabalho.
Sob a perspectiva econômica, essa ausência pode significar redução da capacidade produtiva e aumento dos custos operacionais, especialmente quando a organização precisa reorganizar atividades, contratar substitutos ou realizar horas extras.
Entretanto, é importante destacar que nem toda ausência representa improdutividade.
O impacto econômico depende da duração da ausência, da função exercida, da possibilidade de substituição e da capacidade de reorganização do processo.
O ponto central não é simplesmente “quanto a empresa perde com cada dia de ausência”, mas:
“Quanto de valor econômico deixa de ser produzido em razão da indisponibilidade daquele recurso humano?”
Uma forma simplificada de estimar o impacto seria:
Custo do absenteísmo = custo da substituição + horas extras + perda de produção + retrabalho + custos administrativos
Além do custo direto, existe o custo de oportunidade, ou seja, aquilo que a organização poderia ter produzido ou realizado se tivesse contado com a capacidade produtiva disponível.
Uma máxima a ser considerada no estudo é que:
“Absenteísmo não representa apenas ausência de pessoas; representa, potencialmente, ausência de capacidade produtiva e de valor econômico.”
E uma certeza ainda mais forte:
“Quando um trabalhador se ausenta, a organização não perde apenas horas de trabalho; pode perder produtividade, continuidade, qualidade e oportunidades de geração de valor.”
Portanto, na perspectiva da Produtividade Integral, o absenteísmo deve ser analisado não apenas como um indicador de Recursos Humanos, mas como um indicador de capacidade produtiva e de eficiência econômica.
6.2 Presenteísmo
O presenteísmo, por sua vez, caracteriza-se pela presença física do trabalhador acompanhada de desempenho reduzido, muitas vezes relacionado a estresse, preocupações pessoais, desmotivação, problemas financeiros ou condições inadequadas de trabalho.
Ele ocorre quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas apresenta capacidade produtiva reduzida. Diferentemente do absenteísmo, no qual a ausência é facilmente percebida, o presenteísmo é um fenômeno mais silencioso e difícil de mensurar, pois o trabalhador está presente, porém não consegue entregar todo o seu potencial.
6.3 Turnover
Já o turnover representa a rotatividade de colaboradores, gerando custos com desligamento, recrutamento, seleção, treinamento e adaptação de novos profissionais, além da possível perda de conhecimento e experiência.
Esses fenômenos demonstram que comportamentos e condições humanas podem produzir impactos econômicos que nem sempre são imediatamente percebidos nos indicadores financeiros.
Por isso, a organização deve acompanhar não apenas a presença e o cumprimento das tarefas, mas também a qualidade do desempenho e suas consequências sobre custos, produtividade e resultados.
A gestão estratégica desses fatores exige diagnóstico, mensuração e intervenção, buscando identificar suas causas e reduzir perdas. Dessa forma, absenteísmo, presenteísmo e turnover deixam de ser tratados apenas como problemas administrativos e passam a ser considerados indicadores de produtividade e geração de valor econômico.
Toda organização possui custos relacionados aos colaboradores. Salários, encargos, benefícios, treinamentos, equipamentos e infraestrutura representam recursos financeiros.
Entretanto, limitar a análise ao custo pode conduzir a decisões equivocadas. Um colaborador não representa apenas uma despesa. Ele também pode contribuir para:
Receita + produtividade + inovação + redução de custos + qualidade + retenção de clientes + conhecimento.
Nesse sentido, o verdadeiro desafio gerencial é estabelecer uma relação entre investimento e retorno. A pergunta deixa de ser:
“Quanto custa esse colaborador?”
e passa a ser:
“Qual valor esse colaborador gera e como podemos ampliar sua contribuição?”
Essa mudança de perspectiva aproxima a gestão de pessoas da estratégia financeira.
Quando o colaborador gera valor?
O colaborador tende a gerar maior valor econômico quando consegue transformar:
Conhecimento + Competências + Comportamento + Tecnologia + Recursos
Em:
Produtividade + Qualidade + Inovação + Redução de custos + Resultados
O investimento precisa estar conectado às necessidades da organização e ser acompanhado por indicadores de desempenho. Um treinamento, por exemplo, somente representa um investimento econômico quando o conhecimento adquirido consegue ser aplicado e convertido em resultados.
Em relação à questão econômica, o verdadeiro custo não é necessariamente ter colaboradores, mas manter capacidade humana subutilizada.
Um colaborador altamente qualificado, mas submetido a processos inadequados, ferramentas insuficientes, liderança deficiente ou falta de autonomia, representa uma capacidade produtiva que não está sendo plenamente convertida em valor.
Por isso:
“O colaborador não deve ser analisado apenas pelo custo que representa, mas pelo valor econômico que sua capacidade pode gerar quando conhecimento, competência e comportamento encontram condições adequadas de desempenho.”
Impactando o nosso estudo, é possível afirmar
“Pessoas podem representar custo quando sua capacidade é subutilizada; tornam-se investimento quando a organização consegue transformar conhecimento, competências e comportamento em produtividade, inovação e resultados.”
Essa concepção nos direciona para uma lógica na qual estamos estudando:
Pessoas → Capacidades → Comportamentos → Desempenho → Produtividade → Resultado → Valor Econômico.
Transformar desempenho em valor exige três movimentos.
É necessário estabelecer indicadores capazes de demonstrar o que está sendo realizado.
O gestor precisa compreender de que maneira determinado desempenho influencia custos, receitas, qualidade ou produtividade.
Sempre que possível, o resultado deve ser convertido em valores financeiros.
Como exemplo, é possível citar que um programa de treinamento reduz o retrabalho. A redução do retrabalho diminui as horas utilizadas em correções. A redução das horas representa economia.
A economia representa valor econômico.
Temos, então:
Treinamento → melhoria de competência → redução de erros → redução de custos → geração de valor.
Essa cadeia permite demonstrar que uma ação originalmente relacionada à gestão de pessoas pode produzir impacto financeiro.
A gestão precisa utilizar indicadores que permitam acompanhar essa relação.
Alguns exemplos são: produtividade por colaborador (resultado produzido ÷ número de colaboradores); receita por colaborador (receita operacional ÷ número de colaboradores); custo de pessoal sobre receita (custos com pessoal ÷ receita) × 100; índice de absenteísmo (horas de ausência ÷ horas previstas) × 100; índice de turnover (desligamentos ÷ número médio de colaboradores) × 100; índice de retrabalho (custos do retrabalho ÷ custos totais) × 100.
Esses indicadores não devem ser utilizados isoladamente. O objetivo é construir uma visão integrada.
A relação entre desempenho e valor econômico está no centro da gestão da produtividade. O desempenho representa como o colaborador transforma suas capacidades e os recursos disponíveis em resultados.
O valor econômico, por sua vez, está relacionado à capacidade desses resultados de contribuir para receitas, redução de custos, qualidade, eficiência, inovação e sustentabilidade do negócio.
Portanto, desempenho é o resultado da ação; valor econômico é a consequência desse resultado para a organização.
O ponto fundamental é que alto desempenho não significa necessariamente alto valor econômico. Um colaborador pode trabalhar intensamente e produzir grande quantidade, mas, se gerar muitos erros, desperdícios ou retrabalho, parte desse desempenho pode não representar valor efetivo para a organização.
Quanto à questão econômica fundamental, a organização não deveria avaliar o colaborador apenas pela pergunta:
“Quanto ele produz?”
Mas também:
“Quanto valor é gerado pelo que ele produz?”
Essa distinção é essencial porque produção, produtividade e valor econômico são conceitos diferentes.
Um profissional pode produzir 100 unidades com alto índice de erros, enquanto outro produz 90 unidades praticamente sem retrabalho. Dependendo dos custos envolvidos, o segundo pode gerar maior valor econômico, mesmo apresentando menor quantidade produzida.
As máximas para a reflexão são:
“Desempenho não é simplesmente fazer mais; é transformar capacidade, tempo e recursos em resultados que contribuam efetivamente para a geração de valor econômico.”
Outra máxima para corroborar é:
“O verdadeiro desempenho começa quando o esforço deixa de ser apenas atividade e passa a produzir resultado; e o verdadeiro valor econômico surge quando esse resultado supera os recursos necessários para obtê-lo.”
Isso permite estabelecer uma equação conceitual:
Capacidade humana × Condições de desempenho × Qualidade da execução = Valor potencial
E o grande desafio da organização é reduzir a distância entre:
Valor potencial → Valor efetivamente realizado.
Assim, gerenciar pessoas economicamente não significa extrair o máximo esforço delas, mas criar as condições para que seu desempenho produza o maior valor sustentável possível.
Uma das formas de aproximar desenvolvimento humano e resultado financeiro é utilizar o conceito de Retorno sobre o Investimento – ROI.
A fórmula básica é:
ROI = [(Benefício obtido – Investimento realizado) ÷ Investimento realizado] × 100
Considere uma empresa que investiu R$ 50.000,00 em capacitação e, após a implementação do programa, identificou benefícios econômicos estimados em R$ 70.000,00.
O cálculo seria:
ROI = [(R$ 70.000,00 – R$ 50.000,00) ÷ R$ 50.000,00] × 100
ROI = [R$ 20.000,00 ÷ R$ 50.000,00] x 100
ROI = 0,40 x 100
ROI = 40%
Isso não significa que todo treinamento possa ser reduzido a um cálculo financeiro. Entretanto, demonstra a importância de buscar evidências sobre os efeitos econômicos das ações de desenvolvimento. A questão estratégica deixa de ser apenas:
“Quanto custa capacitar?”
e passa a incluir:
“Qual resultado esperamos obter com essa capacitação?”
A relação entre ROI (Retorno sobre o Investimento) e produtividade permite transformar a discussão sobre desempenho em uma perspectiva econômica e mensurável.
Enquanto a produtividade procura avaliar quanto de resultado é obtido em relação aos recursos utilizados, o ROI procura avaliar quanto de retorno econômico foi obtido em relação ao investimento realizado.
Por exemplo, uma empresa investe R$ 20.000,00 em treinamento e melhoria de processos. Após a implementação, consegue reduzir desperdícios e aumentar a produtividade, gerando R$ 30.000,00 de benefício econômico adicional.
Considerando, de forma simplificada:
ROI = (Retorno − Investimento) ÷ Investimento × 100
Teríamos:
ROI = [(R$ 30.000,00 – R$ 20.000,00) ÷ R$ 20.000,00] × 100
ROI = [R$ 10.000,00 ÷ R$ 20.000,00] x 100
ROI = 0,50 x 100
ROI = 50%
Ou seja, o investimento apresentou retorno líquido equivalente a 50% do valor investido.
Para integrar os diferentes fatores apresentados, propõe-se o Modelo de Produtividade Integral, estruturado em três dimensões.
Representa a capacidade de execução.
Competências + Conhecimento + Processos + Tecnologia + Qualidade
Pergunta-chave:
O profissional sabe fazer?
Representa a forma como o conhecimento é utilizado.
Motivação + Engajamento + Comunicação + Inteligência emocional + Tomada de decisão
Pergunta-chave:
O profissional está disposto e preparado para aplicar aquilo que sabe?
Considera fatores financeiros pessoais que podem interferir na concentração e no desempenho profissional.
Educação financeira + organização financeira + planejamento + redução de preocupações + foco
Pergunta-chave:
Existem fatores pessoais que podem estar comprometendo a capacidade produtiva?
Como representação conceitual, o modelo pode ser sintetizado da seguinte forma:
Valor econômico do colaborador = Competência × Comportamento × Condições de desempenho
A utilização da multiplicação possui uma finalidade simbólica. Se uma das dimensões apresentar desempenho muito baixo, a capacidade de geração de valor poderá ser significativamente comprometida.
Um colaborador extremamente competente, mas sem condições adequadas de trabalho, pode produzir abaixo de seu potencial. Da mesma forma, um colaborador motivado, mas sem capacitação suficiente, pode apresentar dificuldades para alcançar os resultados esperados.
A produtividade integral procura justamente compreender essa interação.
A implementação pode ser realizada em cinco etapas.
1. Diagnóstico
Identificar os fatores que estão comprometendo ou potencializando a produtividade.
2. Priorização
Determinar quais problemas apresentam maior impacto econômico.
3. Intervenção
Desenvolver ações específicas de capacitação, melhoria de processos, liderança, comunicação, educação financeira ou gestão de desempenho.
4. Mensuração
Acompanhar indicadores antes e depois da intervenção.
5. Avaliação
Verificar se houve efetivamente melhoria no desempenho e geração de valor.
O ciclo pode ser representado por:
Diagnóstico → Priorização → Intervenção → Mensuração → Avaliação → Novo diagnóstico
Assim, a produtividade deixa de ser tratada como uma ação pontual e passa a integrar um processo contínuo de gestão.
Nenhuma estratégia de produtividade será sustentável sem liderança preparada. O líder precisa compreender que sua função não consiste apenas em cobrar metas.
Também é necessário identificar obstáculos; desenvolver pessoas; fornecer feedback; estabelecer prioridades; reconhecer resultados; corrigir desvios; estimular aprendizagem e acompanhar indicadores.
Uma liderança orientada exclusivamente para cobrança pode aumentar a pressão sem necessariamente aumentar a produtividade.
Uma liderança orientada para desenvolvimento procura compreender por que determinado resultado não está sendo alcançado e quais condições precisam ser modificadas.
Essa mudança é fundamental para transformar gestão de pessoas em gestão de desempenho.
Existe uma diferença entre aumentar produtividade e aumentar permanentemente a intensidade do trabalho. Exigir mais horas, mais velocidade e mais metas pode produzir resultados imediatos.
Porém, se essa estratégia gerar exaustão, aumento de erros, absenteísmo, turnover, queda da qualidade, o resultado pode se tornar economicamente negativo.
Produtividade sustentável significa alcançar resultados sem comprometer a capacidade futura da organização. Portanto, produtividade não é extrair o máximo dos colaboradores. É criar condições para que os colaboradores, processos e tecnologia produzam o máximo de valor possível de forma sustentável.
A gestão contemporânea precisa avançar de uma visão centrada exclusivamente no custo para uma visão baseada na geração de valor. Isso não significa ignorar custos trabalhistas ou transformar colaboradores em indicadores financeiros.
Significa reconhecer que o desempenho humano possui consequências econômicas. Quando um colaborador reduz desperdícios, melhora processos, evita erros, aumenta vendas, preserva clientes ou compartilha conhecimento, está gerando valor.
Quando o comportamento provoca retrabalho, conflitos, desperdícios ou perda de clientes, também existe impacto econômico. A questão estratégica é tornar essas relações visíveis.
Produtividade e resultado são conceitos diretamente relacionados, mas não são sinônimos.
Produzir mais não significa necessariamente gerar mais valor. Uma organização pode aumentar seu volume de produção e, simultaneamente, elevar custos, desperdícios, retrabalho e rotatividade. Por essa razão, a produtividade precisa ser analisada de maneira mais ampla.
O desempenho dos colaboradores representa uma das principais variáveis dessa equação. Competências técnicas, comportamento, motivação, capacidade de decisão, condições de trabalho e fatores pessoais podem influenciar diretamente os resultados.
O Modelo de Produtividade Integral, apresentado neste artigo, propõe a integração de três dimensões: técnica, comportamental e financeiro-pessoal.
Essa abordagem permite compreender que a geração de valor não depende exclusivamente da capacidade de produzir, mas da capacidade de transformar competências e comportamentos em resultados economicamente relevantes.
Para as organizações, a grande mudança está em deixar de perguntar apenas:
“Quanto nossos colaboradores estão produzindo?”
e começar a perguntar:
“Quanto de valor nossos colaboradores estão gerando e o que podemos fazer para ampliar a geração desse valor?”
Essa mudança de perspectiva pode transformar a maneira como empresas avaliam produtividade, desenvolvem os colaboradores e tomam decisões.
No ambiente empresarial, mais especificamente na indústria, a verdadeira produtividade não está apenas em produzir mais. Está em produzir melhor, reduzir perdas, desenvolver colaboradores e transformar desempenho em valor econômico sustentável.
Mestre em Administração pela Universidade MUST UNIVERSITY da Flórida – U.S.A. Pós-graduado em Gestão de Negócios e Controladoria pela Universidade de Jales, SP; Pós-graduado em Educação Financeira com Neurociência para Docentes. Metodologia DSOP. Faculdade Unoeste de Presidente Prudente, SP. Pós-graduação em Finanças Comportamentais. Faculdade Unoeste de Presidente Prudente, SP. Pós-graduado em Pedagogia Empresarial pelas Faculdades Metropolitana de Ribeirão Preto, SP, e bacharel em Ciências Contábeis pelas Faculdades Integradas “Rui Barbosa” de Andradina, SP.
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