Atualizado em 3/08/26 - Escrito por Adriana Mariano na(s) categoria(s): Processos e Organização
Matriz QFD (Quality Function Deployment), que significa Desdobramento da Função Qualidade, é um método que busca garantir a qualidade durante o processo de desenvolvimento de produtos e serviços.
Em primeiro lugar, esse método consiste em ouvir a voz do cliente para desenvolver produtos ou serviços por meio de diversos fatores como funções do produto, qualidade, processos, entre outros.
Assim, vamos aprender um pouco mais sobre essa ferramenta que auxilia diversas empresas na área de desenvolvimento. Confira os principais tópicos abordados neste artigo:
Índice do artigo

Como disse anteriormente, o Desdobramento da Função Qualidade(Quality Function Deployment – QFD), popularmente conhecido como a casa da qualidade, é um método que visa garantir a qualidade no desenvolvimento de produtos e serviços desde as fases iniciais do projeto.
A matriz QFD foi criada na década de 60 pelo japonês Yoji Akao, mas ganhou grande popularidade quando chegou aos EUA na década de 80. Desde então, diversas empresas buscam implementar esse método a fim de atender melhor seus clientes.
Dessa forma, o principal objetivo da matriz QFD é tentar assegurar que o projeto final de um produto ou serviço atenda às exigências dos clientes por meio de características mensuráveis.
Como eu disse no tópico acima, quem criou a Matriz QFD foi o japonês Yoji Akao. Ele trabalhou em colaboração com o professor Shigeru Mizuno naquela época para resolver problemas de controle estatístico de qualidade, um conceito que tinha sido introduzido no Japão após a Segunda Guerra Mundial, quando esse tipo de monitoramento entrou profundamente na indústria japonesa.
As atividades de qualidade foram cada vez mais integradas às teorias de outros profissionais e pesquisadores nipônicos, como Dr. Kaoru Ishikawa, levando a conceitos como TQC (Total Quality Control, ou Controle da Qualidade Total) e TQM (Total Control Management, ou Gestão de Qualidade Total).
A matriz QFD pode trazer grandes benefícios para sua empresa. Por isso, listamos os principais benefícios para você analisar se vale a pena implementar esse método, que são:
Outro benefício que vale a pena ressaltar é que, o QFD pode ajudar na identificação de oportunidades no mercado consumidor, descobrindo lacunas existentes ou que ainda não foram bem exploradas.
A casa da qualidade, busca representar a maneira como os consumidores veem os produtos que estão no mercado e os aspectos que podem ser melhorados.
Neste tópico, vamos aprender o passo a passo para construir a casa da qualidade, que é composta por 7 partes: Requisitos dos clientes, importância, Benchmark competitivo, Requisitos dos produtos, matriz de relacionamentos, qualificação dos requisitos do produto e matriz de correlação.
O primeiro passo é definir os requisitos que os clientes consideram mais importantes para determinado produto a fim de tornar sua experiência o mais satisfatória possível.
Para isso, a equipe de desenvolvimento deve pensar o que o cliente espera e qual o grau de importância é dado para cada requisito.
Logo, para realizar essa análise é necessário fazer uma pesquisa para determinar a ordem de importância dos requisitos de acordo com a preferência do cliente.
Após definir os requisitos do produto, é necessário classificá-los de acordo com o grau de importância, sempre levando em conta a opinião do cliente. Por exemplo, ao comprar um carro o cliente pode considerar o preço mais importante do que o modelo.
Nesta etapa, devem ser realizados benchmarking com dois ou três concorrentes a fim de identificar o desempenho dos produtos sob a perspectiva do cliente. Além disso, o objetivo desta etapa é avaliar se os requisitos dos clientes são atendidos nos produtos concorrentes.
Agora que você já avaliou os requisitos dos clientes e comparou os concorrentes. O próximo passo é identificar os requisitos do produto a ser elaborado, ou seja, quais são as especificações/características deste produto.
A matriz de relacionamentos é responsável por avaliar as relações entre os requisitos que agregam valor ao cliente e os requisitos técnicos do produto. Assim, é possível analisar quais requisitos do projeto tem mais relação com o que o cliente espera.
A qualificação dos requisitos do produto nada mais é do que quantificar os requisitos do produto, analisando a intensidade e importância de cada um deles.
A Matriz de Correlação é conhecida como o teto da casa da qualidade, pois nela são feitas as correlações entre os próprios requisitos do projeto.
Figura 1: Matriz QFD

Para sua implantação ser bem sucedida, é essencial ficar atento a alguns aspectos importantes, que são:
Ter apoio da alta gerência: Antes de iniciar o projeto é importante ter o apoio dos gestores, já que eles são os responsáveis pela tomada de decisão. O apoio deles facilitará a implantação da matriz QFD.
Analisar e interpretar as informações e resultados adequadamente: Após recolher todos os dados necessários, é importante organizá-los a fim de extrair informações consistentes.
Conduzir a pesquisa de mercado eficaz: Saber escolher as perguntas que farão parte da pesquisa de mercado é essencial para o desenvolvimento do projeto.
Proporcionar um treinamento adequado: Um dos maiores erros cometidos na implantação do QFD é a inexistência ou um treinamento mal feito. Dessa forma, é essencial que seja realizado um treinamento para todas as pessoas envolvidas na implantação para evitar erros e retrabalhos.
Agora que você aprendeu a como implementar a matriz QFD, verifique se faz sentido para sua realidade e comece a colocar em prática na sua indústria. Assim, a empresa terá produtos que cada vez mais agregam valor aos seus clientes.
Veja também: Matriz Rice: o que é e como melhorar a priorização dos seus projetos
Imagine que uma indústria esteja desenvolvendo uma nova bancada metálica para oficinas. Antes de definir as características do produto, a empresa entrevista clientes e identifica quatro necessidades principais:
Os clientes atribuem uma nota de importância de 1 a 5 para cada requisito, sendo 1 pouco importante e 5 muito importante.
| Requisito do cliente | Importância |
|---|---|
| Suportar bastante peso | 5 |
| Ter boa durabilidade | 5 |
| Ser fácil de montar | 3 |
| Ter preço acessível | 4 |
Nesse exemplo, a capacidade de carga e a durabilidade são os fatores mais valorizados pelos clientes.
Em seguida, a empresa pede que os clientes avaliem sua bancada atual e dois produtos concorrentes. As notas também variam de 1 a 5.
| Requisito do cliente | Produto atual | Concorrente A | Concorrente B |
|---|---|---|---|
| Suportar bastante peso | 3 | 4 | 5 |
| Ter boa durabilidade | 4 | 4 | 5 |
| Ser fácil de montar | 2 | 4 | 3 |
| Ter preço acessível | 4 | 2 | 3 |
O benchmark mostra que o produto atual apresenta uma vantagem em preço, mas precisa melhorar principalmente a capacidade de carga e a facilidade de montagem.
A equipe de engenharia transforma as necessidades dos clientes em características técnicas que possam ser medidas:
| Necessidade do cliente | Requisito técnico relacionado |
|---|---|
| Suportar bastante peso | Capacidade máxima de carga |
| Ter boa durabilidade | Espessura da chapa de aço |
| Ser fácil de montar | Tempo médio de montagem |
| Ter preço acessível | Custo industrial de fabricação |
Essa etapa transforma expressões subjetivas, como “ser resistente”, em especificações objetivas e mensuráveis.
Agora, a equipe avalia quanto cada requisito técnico influencia cada necessidade do cliente. É possível utilizar a seguinte escala:
| Requisitos dos clientes | Importância | Capacidade de carga | Espessura da chapa | Tempo de montagem | Custo de fabricação |
|---|---|---|---|---|---|
| Suportar bastante peso | 5 | 9 | 3 | 0 | 1 |
| Ter boa durabilidade | 5 | 3 | 9 | 0 | 1 |
| Ser fácil de montar | 3 | 0 | 0 | 9 | 3 |
| Ter preço acessível | 4 | 1 | 3 | 1 | 9 |
Para calcular a prioridade de cada requisito técnico, multiplica-se a importância do requisito do cliente pela intensidade do relacionamento. Depois, somam-se os resultados de cada coluna.
Por exemplo, a pontuação da capacidade de carga é:
(5 × 9) + (5 × 3) + (3 × 0) + (4 × 1) = 64
O mesmo cálculo é realizado para os demais requisitos.
| Requisito técnico | Pontuação | Prioridade relativa |
|---|---|---|
| Espessura da chapa | 72 | 32,4% |
| Capacidade de carga | 64 | 28,8% |
| Custo de fabricação | 55 | 24,8% |
| Tempo de montagem | 31 | 14,0% |
| Total | 222 | 100% |
Os resultados indicam que a espessura da chapa e a capacidade de carga devem receber maior atenção da equipe de desenvolvimento. Juntas, essas características representam aproximadamente 61% da prioridade técnica do projeto.
Isso não significa que o tempo de montagem deva ser ignorado. A pontuação apenas ajuda a orientar a distribuição de recursos, testes e esforços de engenharia.
Com base nos resultados, no benchmark e na capacidade produtiva da indústria, a equipe pode definir metas como:
| Requisito técnico | Situação atual | Meta do projeto |
|---|---|---|
| Capacidade máxima de carga | 350 kg | 500 kg ou mais |
| Espessura da chapa de aço | 1,5 mm | 2 mm |
| Tempo médio de montagem | 35 minutos | Até 20 minutos |
| Custo industrial de fabricação | R$ 850 | Até R$ 900 |
As metas precisam ser realistas. Embora os clientes valorizem resistência e durabilidade, aumentar demais a espessura da chapa pode elevar o custo e o peso da bancada.
No “teto” da casa da qualidade, a equipe analisa como os requisitos técnicos se relacionam entre si.
Neste exemplo:
Essa análise revela possíveis conflitos técnicos. A empresa não deve simplesmente aumentar a espessura da chapa, por exemplo, sem avaliar o impacto sobre o custo, o peso e o processo produtivo.
A Matriz QFD mostra que o novo projeto deve priorizar resistência e durabilidade, pois esses são os requisitos mais importantes para os clientes e estão entre os pontos em que os concorrentes apresentam melhor desempenho.
Ao mesmo tempo, o preço acessível é uma vantagem do produto atual que deve ser preservada. O desafio da engenharia será atingir uma capacidade mínima de 500 kg e melhorar a durabilidade sem ultrapassar o custo industrial definido.
Já a facilidade de montagem, embora tenha uma prioridade técnica menor, representa uma oportunidade de diferenciação identificada no benchmark. Por isso, pode ser tratada por meio de melhorias no desenho das peças, redução do número de componentes e padronização dos elementos de fixação.
Dessa forma, a Matriz QFD transforma a opinião dos clientes em prioridades e metas técnicas, ajudando a equipe a tomar decisões de projeto com base em dados.
Agora que você já sabe mais sobre a Matriz QFD, recomendo que acompanhe a Nomus nas suas redes favoritas e não perca os próximos conteúdos. Confira:
Engenheira de Produção formada pela UFRJ, pós-graduanda em Gestão de Projetos na USP e especialista em Gestão de Processos e Melhoria Contínua na Nomus.
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NHAO GOSTUEI
Muito bom, muito bem explicado, sem dificuldade para entender, abrindo espaço para ideias de novas pesquisas relacionadas e sem códigos que não venham com explicação, ótimo tanto para alguém que já trabalha em indústria, quanto para um jovem aprendiz que está a iniciar agora (como eu), @ escritor@ arrasou!
muito bom, estou começando minha primeira corrida de projeto, e tenho me destacado porque encontro sempre argumentos de boa qualidade, como esse acima, tamos juntos..
Ajudaria se houvesse um exemplo prático de preenchimento e análise dos resultados.
Olá Amauri, agradecemos a sugestão e atualizamos o artigo com um exemplo prático! #VamosEmFrente