Reforma Tributária: obrigatoriedade de IBS e CBS nas notas fiscais começa em agosto de 2026


Atualizado em 2/07/26 - Escrito por Rafael Netto na(s) categoria(s): Fiscal

Nomus ERP Industrial

Reforma Tributária: obrigatoriedade de IBS e CBS nas notas fiscais começa em agosto de 2026

A Reforma Tributária do Consumo entra em uma nova etapa prática a partir de agosto de 2026. Empresas do regime regular precisam se preparar para uma mudança importante na emissão de documentos fiscais eletrônicos: o preenchimento dos campos relativos ao IBS e à CBS passará a ser obrigatório.

Na prática, isso significa que os documentos fiscais eletrônicos deverão conter os novos grupos e campos referentes aos tributos criados pela Reforma Tributária. Caso essas informações não estejam presentes ou estejam inconsistentes no XML, a emissão poderá ser rejeitada pelo ambiente autorizador.

Para as indústrias, essa mudança exige atenção especial. Afinal, uma nota fiscal rejeitada pode travar faturamento, expedição, remessa de mercadorias, devoluções, transferências, industrializações por terceiros e outras operações fundamentais da rotina industrial.

Por isso, mais do que acompanhar a mudança na legislação, é essencial garantir que o ERP utilizado pela empresa esteja tecnicamente preparado para emitir documentos fiscais dentro das novas regras.

Início da obrigatoriedade de IBS e CBS nos documentos fiscais

A partir de 03 de agosto de 2026, passa a ser obrigatório o preenchimento dos campos referentes ao IBS e à CBS nos documentos fiscais eletrônicos das empresas do regime regular.

O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, e a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, fazem parte do novo modelo de tributação sobre o consumo no Brasil. Durante o período de transição, esses tributos começam a aparecer nos documentos fiscais eletrônicos para que empresas, sistemas e administrações tributárias possam testar o novo modelo.

Todos os documentos fiscais afetados deverão conter os campos relacionados ao IBS e à CBS, incluindo a chamada alíquota teste de 1%, composta por 0,1% de IBS e 0,9% de CBS.

Com isso, a obrigatoriedade deixa de ser apenas uma previsão normativa e passa a representar uma validação sistêmica na emissão fiscal. Ou seja, a ausência dessas informações pode impedir a autorização do documento fiscal.

Quais documentos fiscais eletrônicos são impactados?

A Reforma Tributária envolve diferentes tipos de documentos fiscais eletrônicos, de acordo com a operação realizada pela empresa.

Entre os principais documentos impactados, estão:

  • NF-e, Nota Fiscal Eletrônica;
  • NFC-e, Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica;
  • CT-e, Conhecimento de Transporte Eletrônico;
  • CT-e OS, Conhecimento de Transporte Eletrônico para Outros Serviços;
  • GTV-e, Guia de Transporte de Valores Eletrônica;
  • NFCom, Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica;
  • NF3e, Nota Fiscal de Energia Elétrica Eletrônica;
  • BP-e, Bilhete de Passagem Eletrônico;
  • BP-e TA, Bilhete de Passagem Eletrônico Transporte Aquaviário;
  • NFS-e, Nota Fiscal de Serviço Eletrônica;
  • NFAg, Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica;
  • NFGas, Nota Fiscal de Gás Eletrônica.

No caso das indústrias, a NF-e costuma ser o documento mais sensível no dia a dia, pois está diretamente ligada à venda de produtos, circulação de mercadorias, remessas, devoluções, transferências, industrialização por terceiros e faturamento.

Por isso, a adequação da NF-e às Notas Técnicas da Reforma Tributária deve ser acompanhada de perto pelo time fiscal, pela contabilidade e pelos responsáveis pelo ERP.

O que acontece com notas fiscais sem IBS e CBS em agosto?

Caso os grupos de informações relativos ao IBS e à CBS não estejam preenchidos corretamente no XML, a nota fiscal poderá ser rejeitada pelo ambiente autorizador.

Isso ocorre porque as novas regras de validação passam a verificar a presença e a consistência dos campos exigidos para a Reforma Tributária.

Na prática, a empresa pode se deparar com rejeições relacionadas à ausência das informações de IBS e CBS, impedindo a autorização da nota fiscal.

Para uma indústria, esse bloqueio pode gerar impactos diretos na operação, como:

  • atraso no faturamento;
  • impossibilidade de liberar mercadorias para expedição;
  • retrabalho para corrigir documentos fiscais;
  • atrasos em entregas para clientes;
  • interrupção de remessas para industrialização;
  • dificuldade em operações de devolução ou transferência;
  • desalinhamento entre fiscal, estoque, vendas e financeiro.

Por isso, a preparação precisa acontecer antes da data de obrigatoriedade. Deixar para ajustar o sistema apenas quando a rejeição começar a ocorrer pode comprometer a rotina operacional da empresa.

Como evitar a rejeição por IBS/CBS não informado?

Para evitar rejeições relacionadas à ausência de IBS e CBS, a empresa precisa garantir que o ERP esteja preparado para gerar o XML conforme os novos leiautes e regras de validação.

Dois pontos merecem atenção especial:

1. Tributação por item

A nota fiscal precisa conter as informações de IBS e CBS nos itens do documento fiscal.

Isso inclui campos como:

  • alíquota efetiva do IBS;
  • valor do IBS;
  • alíquota efetiva da CBS;
  • valor da CBS;
  • informações relacionadas a diferimento, quando aplicável;
  • informações de monofasia, quando aplicável;
  • crédito presumido, quando aplicável;
  • demais campos correlatos previstos nas Notas Técnicas.

Esse ponto é especialmente importante para indústrias com muitos produtos, diferentes NCMs, operações interestaduais, vendas com regras específicas ou processos fiscais mais complexos.

Se o cadastro do produto, a classificação fiscal, a natureza de operação ou as parametrizações tributárias estiverem incorretas, o XML poderá ser gerado com inconsistências.

2. Grupo de Totais da nota fiscal

Além das informações por item, o documento fiscal também precisa apresentar os totais relacionados ao IBS e à CBS.

No caso da NF-e e da NFC-e, as adequações da Reforma Tributária envolvem o Grupo W03, referente ao total da NF-e para IBS, CBS e Imposto Seletivo.

Esse grupo tem a função de consolidar os valores dos novos tributos no total do documento fiscal. Portanto, os valores informados nos itens precisam estar coerentes com os totalizadores da nota.

Quando há divergência entre os valores por item e os valores totais, a nota pode ser rejeitada pelas regras de validação.

Quando começam as penalidades pela ausência das informações?

O ano de 2026 foi definido como um período de testes e transição assistida da Reforma Tributária.

Durante esse período, os documentos fiscais eletrônicos devem ser emitidos com o destaque do IBS e da CBS, conforme as normas e Notas Técnicas aplicáveis. No entanto, a Receita Federal orienta que, em 2026, o contribuinte que cumprir corretamente as obrigações acessórias ficará dispensado do recolhimento do IBS e da CBS.

Isso significa que o foco de 2026 está na adaptação dos sistemas, no envio das informações corretas e na validação do novo modelo tributário.

Mesmo assim, a dispensa de recolhimento não deve ser confundida com ausência de obrigação. A empresa ainda precisa emitir os documentos fiscais com os campos exigidos.

Para as indústrias, o principal risco imediato em agosto de 2026 não é necessariamente o desembolso financeiro dos novos tributos, mas sim o risco operacional de ter notas fiscais rejeitadas por falhas de layout, preenchimento ou parametrização.

2026: ano de testes e transição assistida

A Reforma Tributária será implementada de forma gradual. Em 2026, a CBS e o IBS passam por uma fase de testes, permitindo que empresas, fornecedores de tecnologia, contabilidades, fiscos estaduais, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS validem o funcionamento do novo modelo.

Esse período é importante porque os documentos fiscais eletrônicos serão usados para coletar dados reais sobre operações, tributos, bases de cálculo e comportamento das empresas.

Em outras palavras, mesmo que 2026 seja um ano de testes, os documentos emitidos pelas empresas terão papel fundamental para a calibragem e evolução da Reforma Tributária.

Para a indústria, isso exige organização desde agora.

Empresas que possuem processos fiscais bem estruturados, cadastros confiáveis e um ERP atualizado tendem a passar por essa etapa com mais segurança. Já empresas que dependem de controles manuais, sistemas desatualizados ou parametrizações pouco revisadas podem enfrentar mais dificuldades.

Como as indústrias devem se preparar?

A adequação à Reforma Tributária não depende apenas de uma atualização técnica no sistema emissor. Ela também exige revisão de dados, processos e regras fiscais que fazem parte da rotina da indústria.

Veja os principais pontos de atenção:

1. Atualizar o ERP e os leiautes dos documentos fiscais

O primeiro passo é garantir que o ERP esteja atualizado para gerar os documentos fiscais eletrônicos conforme as Notas Técnicas da Reforma Tributária.

Isso envolve a inclusão dos novos grupos e campos de IBS, CBS e, quando aplicável, Imposto Seletivo no XML.

Também é necessário acompanhar as versões mais recentes das Notas Técnicas, já que os leiautes e regras de validação podem passar por ajustes ao longo do período de implantação.

2. Revisar regras de cálculo e parametrizações fiscais

A indústria precisa revisar as parametrizações fiscais utilizadas no ERP.

Isso inclui:

  • CFOP;
  • CST;
  • NCM;
  • natureza de operação;
  • regras de tributação por item;
  • cenários de venda;
  • devoluções;
  • remessas;
  • transferências;
  • operações interestaduais;
  • industrialização por terceiros;
  • operações com regimes específicos, quando aplicável.

As novas regras de cálculo relacionadas ao IBS e à CBS precisam estar alinhadas às operações reais da empresa.

Essa revisão deve ser feita em conjunto com a contabilidade, pois envolve interpretação fiscal, enquadramento da operação e validação das classificações utilizadas.

3. Validar cadastros de produtos e clientes

Grande parte das informações fiscais da nota nasce nos cadastros.

Por isso, produtos, clientes, fornecedores e naturezas de operação precisam estar corretamente preenchidos.

No cadastro de produtos, informações como NCM, unidade de medida, origem, tipo de item e classificações fiscais devem ser revisadas com atenção.

Em indústrias com muitos SKUs, produtos sob encomenda, matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, esse trabalho é ainda mais importante.

Cadastros incompletos ou inconsistentes aumentam o risco de erro no XML e, consequentemente, de rejeição da nota fiscal.

4. Simular operações industriais críticas

Antes da obrigatoriedade, é recomendável simular as operações mais importantes da rotina da empresa.

Alguns exemplos são:

  • venda de produto acabado;
  • venda interestadual;
  • venda para consumidor final;
  • devolução de venda;
  • remessa para industrialização;
  • retorno de industrialização;
  • transferência entre filiais;
  • remessa para conserto;
  • retorno de conserto;
  • bonificação;
  • amostra grátis;
  • faturamento com diferentes CFOPs;
  • operações com produtos de diferentes NCMs.

Esses testes ajudam a identificar inconsistências antes que elas afetem o ambiente de produção.

5. Utilizar ambiente de homologação

Sempre que possível, a empresa deve validar a emissão dos documentos fiscais em ambiente de homologação.

Esse ambiente permite testar a geração dos XMLs, verificar o preenchimento dos campos de IBS e CBS e identificar rejeições antes que elas impactem a operação real.

A homologação é uma etapa importante para reduzir riscos no faturamento e preparar a equipe fiscal para a nova rotina.

6. Treinar os times envolvidos

A Reforma Tributária não impacta apenas o setor fiscal.

Na indústria, ela também pode afetar áreas como:

  • faturamento;
  • vendas;
  • compras;
  • estoque;
  • expedição;
  • financeiro;
  • controladoria;
  • contabilidade;
  • tecnologia da informação.

Por isso, é importante que os times entendam o que muda, quais dados precisam ser revisados e como agir em caso de rejeição de documentos fiscais.

Treinamento e alinhamento interno ajudam a reduzir retrabalho e evitam que toda inconsistência seja tratada apenas como um problema do sistema.

O papel do ERP Industrial na adequação à Reforma Tributária

Em uma indústria, a nota fiscal não é um processo isolado.

Ela está conectada a pedidos de venda, ordens de produção, estoque, expedição, compras, financeiro, custos, devoluções, remessas e obrigações fiscais.

Por isso, contar com um ERP preparado para a Reforma Tributária é fundamental.

Um ERP industrial atualizado ajuda a empresa a:

  • gerar documentos fiscais eletrônicos conforme os novos leiautes;
  • preencher os campos de IBS e CBS no XML;
  • reduzir riscos de rejeição;
  • centralizar cadastros fiscais;
  • integrar faturamento, estoque e financeiro;
  • manter consistência entre itens e totais da nota;
  • apoiar testes em diferentes cenários operacionais;
  • acompanhar a evolução das exigências fiscais.

Esse ponto é especialmente importante para empresas que ainda utilizam planilhas, sistemas pouco integrados ou soluções que não foram desenvolvidas para lidar com a complexidade da rotina industrial.

O Nomus ERP Industrial já está preparado para a Reforma Tributária

O Nomus ERP Industrial já está preparado para apoiar as indústrias nessa nova etapa da Reforma Tributária.

O sistema vem acompanhando as mudanças técnicas exigidas para a emissão de documentos fiscais eletrônicos com os novos campos relacionados ao IBS e à CBS, ajudando as empresas a manterem suas operações fiscais em conformidade com as exigências atuais.

Além disso, por ser um ERP desenvolvido especialmente para indústrias, o Nomus integra a emissão fiscal aos demais processos da operação, como vendas, estoque, expedição, produção, compras, financeiro e custos.

Essa integração é essencial porque a qualidade da nota fiscal depende da qualidade das informações geradas ao longo da operação.

Quando os dados estão centralizados em um ERP industrial, a empresa reduz retrabalho, evita divergências entre áreas e ganha mais segurança para atravessar o período de transição da Reforma Tributária.

Prepare sua indústria antes da obrigatoriedade

A obrigatoriedade de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos marca uma etapa decisiva da Reforma Tributária.

A partir de agosto de 2026, as indústrias precisam estar preparadas para emitir notas fiscais com os novos campos exigidos, evitando rejeições e interrupções na operação.

Mesmo que 2026 seja um ano de testes e transição assistida, a ausência de informações no XML pode gerar bloqueios na emissão fiscal e afetar diretamente o faturamento da empresa.

Por isso, o momento de revisar cadastros, parametrizações, regras fiscais e sistemas é agora.

Se a sua indústria quer atravessar essa mudança com mais segurança, integração e controle, conheça o Nomus ERP Industrial e veja como um ERP preparado para a Reforma Tributária pode ajudar sua empresa a manter a operação fiscal em dia.

Nomus ERP Industrial

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Autor do Artigo

Rafael Netto

Engenheiro de Produção formado na UFRJ com especializações nas áreas de gestão estratégica, custos, financeira, fiscal e de projetos de software. CEO e fundador da Nomus. Rafael tem mais de 20 anos de experiência como gestor nas áreas de Estratégia, Desenvolvimento de software, Suporte, Implantação, Financeiro, Recursos Humanos, e com implantação de sistemas de PCP e ERP em fábricas de diversos setores, como Alimentos, Metal/mecânico, Plástico, Químico, Farmacêutico, Gráfico, Equipamentos, Náutico, entre outros.

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