Você sabe o que é um recurso não gargalo?

Atualizado em 25/06/18 - Escrito por Thiago Leão na(s) categoria(s): Processos e Organização / Produção

Chão de fábrica

Nossa série, Papo de Produção, tem como objetivo tratar, de uma maneira eficiente, as questões e assuntos relacionados a gestão das indústrias. Desta forma, um leitor do Blog Industrial Nomus entrou em contato para que tratássemos de uma dúvida. Assim, no artigo de hoje vamos tentar mostrar de maneira clara o que é um recurso não gargalo.

Convidamos você a também entrar em contato no caso de dúvidas no ramo de gestão industrial. Será um prazer ajudar em sua compreensão criando materiais no Papo de Produção.

Através do no canal no Youtube, o inscrito, Felipe, entrou em contato para, além de elogiar o conteúdo, pedir ajuda. Confira a interação na íntegra:

Gostei muito do vídeo, bastante esclarecedor. mas ainda estou estou com pouco de dificuldades para saber o que é um Recurso-Gargalo e Não-Gargalo.  Agradeço a ajuda.

São muitos conceitos e teorias, acaba se tornando uma sopa de letrinhas por trás da gestão industrial. A ideia é trazer esses conceitos de gestão, democratizar, tornar esses conceitos mais acessíveis, com um linguajar melhor.

Recurso não gargalo

Em minha dissertação de mestrado, defendida em setembro de 2006, ilustro do que se trata um gargalo. Veja:

Link dissertação:

http://material.nomus.com.br/tesepp

Na imagem temos quatro recurso. O que são recursos? São máquinas, por exemplo, pessoas, centros de trabalho, em que vamos medir as capacidades utilizadas. No recurso 1  temos 25% de capacidade não utilizada e 75% de capacidade utilizada. O recurso 2 são 15% de de capacidade não utilizada e 85% de capacidade utilizada. O recurso 3 está meio a meio, com 50% de capacidade não utilizada e 50% de capacidade utilizada. O recurso 4 é nossa restrição, tem 100% de capacidade utilizada. De acordo com a teoria das restrições, os recursos 1, 2 e 3 são recursos não gargalo e o recurso 4 é o nosso gargalo.

Em outra imagem temos a restrição fora da organização, onde os quatro recursos tem uma porcentagem de capacidade não utilizada. Veja:

Os recursos 1 e 4 tem 25% de capacidade não utilizada. No recurso 3 temos 50% de capacidade não utilizada. E o recurso 2 tem 15% de de capacidade não utilizada. Neste caso os quatro recursos não são gargalo.

Chão de fábrica

Restrição externa a organização

Pode se tratar do mercado, quando tenho mais capacidade do que consigo vender, quando existe uma retração na demanda e não consigo vender o suficiente para abastecer a capacidade das minhas máquinas, com todas as máquinas ociosas. Também pode ser uma restrição dos fornecedores, quando consigo vender, o mercado quer comprar meus produtos, mas por algum motivo não tenho material suficiente para abastecer minhas máquinas, meus fornecedores não conseguem me entregar as matérias primas necessárias para abastecer minha linha de produção.

Devido às variações constantes que, normalmente, uma indústria tem em sua demanda o gargalo pode mudar de lugar. Dependendo do mix de produtos, o gargalo, que no exemplo estava no recurso 4 pode ir para o 2 ou 3, dependendo da variação. É muito importante que quando formos tratar de uma análise de gargalos pensar no horizonte de tempo. Acho ideal pensar em um horizonte de 30 dias de análise e verificar dentro do mês qual foi o seu gargalo. Dentro de um dia, por exemplo, pode ser que algum desses recursos não gargalo tenham uma sobrecarga de demanda e você não consiga atender toda a demanda. Justamente por conta dessas oscilações, existe o conceito de tambor, pulmão e corda, onde o tambor é o recurso gargalo, que dita o ritmo da produção, e o pulmão é um estoque de segurança, que fica antes do gargalo para, caso haja qualquer imprevisto, por exemplo, um desses recursos não gargalo tiver um excesso de demanda e não conseguir abastecer a capacidade do gargalo naquele dia específico, o gargalo não ficar desabastecido.

Na prática

Entendeu do que se trata um recurso não gargalo? Esperamos que sim. Veja como ele funciona na prática assistindo uma apresentação do Nomus ERP Industrial. O sistema de gestão especializado em indústria desenvolvido pela Nomus.


Compartilhe esta matéria:


Tags: ,


Engenheiro Mecânico Industrial formado na UERJ e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Thiago já atuou em fábricas de diversos setores, como: Embarcações, perfuração submarina, metal-mecânica, materiais de escritório, alimentício, cosméticos e tubulação.


Um comentário

  1. Airton Martins says:

    Olá Pedro!
    Muito bom este assunto!
    Como trabalho com a Gestão de Custos o que mais me preocupa são os custos dos Centros de Custos não utilizados ou transferidos para os produtos. Explico:
    Custo total do Recurso 1 R$ 1.000,00 utilização 75% = R$ 750,00 Saldo R$ 250,00
    Custo total do Recurso 2 R$ 1.500,00 utilização 85% = R$ 1.275,00 Saldo R$ 225,00
    Custo Total do Recurso 3 R$ 2.000,00 utilização 50% = R$ 1.000,00 Saldo R$ 1.000,00
    Custo Total do Recurso 4 R$ 3.000,00 utilização 100% = R$ 3.000,00 Saldo R$ 0,00
    Acontece que todo o custo não transferido dos recursos para os produtos são contabilizados na conta estoque e não “vendidos”, ocasionando um aumento nos custos de estoques. Ou seja, de um custo total dos recursos de R$ 7.500,00 somente foram transferidos para os produtos R$ 6.025,00 ou outros R$ 1.475,00 pela regra contábil, foram adicionados aos estoques. No caso eu defino como Produtividade de Custos nas Vendas.
    Espero ter colaborado um pouco!
    Abraço
    Airton Martins

Participe! Deixe o seu comentário agora mesmo:




Junte-se a 47.312 gestores e profissionais da indústria

Receba dicas semanais de engenheiros de produção direto no seu email e turbine sua a gestão da sua indústria. Inscreva-se gratuitamente:


Seu email está seguro e você nunca receberá spam