Atualizado em 26/06/26 - Escrito por Mário Sérgio Corsini na(s) categoria(s): Convidados
Índice do artigo

A preocupação financeira constante constitui um importante fator de sobrecarga cognitiva, capaz de comprometer significativamente as funções executivas dos colaboradores.
Sob a perspectiva da psicologia cognitiva, da economia comportamental e da neurociência, o estresse financeiro não afeta apenas o bem-estar emocional, mas também reduz a capacidade mental disponível para atividades relacionadas à atenção, planejamento, autocontrole, tomada de decisão e resolução de problemas.
Mullainathan e Shafir (2013), em sua Teoria da Escassez (Scarcity Theory), demonstram que a falta de recursos financeiros gera um processo denominado captura da atenção cognitiva (tunneling), no qual grande parte dos recursos mentais é direcionada para preocupações financeiras imediatas.
Como resultado, ocorre uma diminuição da chamada largura de banda mental (mental bandwidth), reduzindo a capacidade de processar informações e tomar decisões eficientes em outras áreas da vida, incluindo o ambiente laboral.
Do ponto de vista neurocientífico, o estresse financeiro prolongado ativa mecanismos fisiológicos relacionados à resposta ao estresse, especialmente o aumento da liberação de cortisol.
Segundo McEwen e Gianaros (2010), níveis elevados e persistentes de cortisol afetam negativamente o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelas funções executivas superiores. Esse comprometimento pode resultar em dificuldades de concentração, lapsos de memória, impulsividade e menor capacidade de planejamento estratégico.
No contexto organizacional, colaboradores que enfrentam dificuldades financeiras tendem a apresentar menor desempenho cognitivo durante suas atividades profissionais.
Estudos conduzidos por Mani et al. (2013), publicados na revista Science, evidenciaram que preocupações financeiras intensas podem reduzir temporariamente a capacidade cognitiva em magnitude comparável à perda de aproximadamente 13 pontos de Quociente de Inteligência.
Os autores concluíram que a escassez financeira consome recursos mentais essenciais para o raciocínio e para a tomada de decisões complexas. Além disso, o estresse financeiro está associado ao aumento do presenteísmo, ou seja, situação em que o trabalhador está fisicamente presente, mas com desempenho reduzido devido a preocupações pessoais.
Pesquisa da PwC (2023) identificou que colaboradores financeiramente estressados apresentam menor produtividade, maior dificuldade de concentração e maior propensão a erros operacionais, impactando diretamente os resultados organizacionais. A literatura também aponta que a sobrecarga cognitiva decorrente das preocupações financeiras pode comprometer a capacidade de autorregulação.
Baumeister e Tierney (2011) argumentam que o autocontrole depende de recursos cognitivos limitados; quando esses recursos são consumidos por preocupações constantes, a capacidade de manter foco, disciplina e qualidade na execução das tarefas tende a diminuir.
Dessa forma, a preocupação financeira constante atua como um fator de redução do desempenho executivo dos colaboradores ao consumir recursos cognitivos essenciais para o funcionamento profissional eficiente.
Esse fenômeno afeta não apenas o indivíduo, mas também a organização, por meio da redução da produtividade, aumento de erros, maior incidência de absenteísmo e comprometimento do clima organizacional.
Consequentemente, programas de educação financeira corporativa e iniciativas voltadas ao bem-estar financeiro podem representar importantes estratégias para mitigar esses impactos e promover melhores resultados individuais e organizacionais.
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza bibliográfica, descritiva e analítica, fundamentado nos pressupostos da Psicologia Cognitiva, da Economia Comportamental e da Neurociência Aplicada ao comportamento financeiro.
O estudo busca compreender como a preocupação financeira constante influencia a capacidade cognitiva dos colaboradores, especialmente no contexto organizacional, utilizando como base teórica o conceito de largura de banda mental (cognitive bandwidth) desenvolvido por Mullainathan e Shafir (2013).
Segundo Gil (2022), a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, permitindo a análise crítica e sistematizada de teorias, conceitos e evidências científicas relacionadas ao fenômeno investigado. Nesse sentido, foram consultados livros, artigos científicos, relatórios institucionais e publicações indexadas em bases de dados nacionais e internacionais.
O procedimento adotado para a revisão bibliográfica foi realizado por meio da consulta às seguintes bases de dados: Scopus, Web of Science, ScienceDirect, PubMed, SciELO e Google Scholar.
Foram utilizados os seguintes descritores em português e inglês: estresse e bem-estar financeiros; escassez monetária; largura de banda mental; cognitive bandwidth; financial stress; scarcity theory; executive function; financial well-being e workplace productivity.
Os critérios de inclusão compreenderam estudos publicados entre 2010 e 2025, priorizando pesquisas empíricas, revisões sistemáticas e obras clássicas relacionadas ao tema da escassez cognitiva e do estresse financeiro.
A análise está fundamentada na Teoria da Escassez (Scarcity Theory), proposta por Mullainathan e Shafir (2013), segundo a qual a limitação de recursos financeiros gera um processo de sobrecarga cognitiva denominado captura da atenção (tunneling).
Esse fenômeno reduz a largura de banda mental disponível para outras atividades cognitivas, comprometendo funções executivas como: atenção sustentada, memória de trabalho, planejamento, tomada de decisão, autocontrole e resolução de problemas.
A teoria sustenta que indivíduos submetidos a preocupações financeiras recorrentes apresentam redução temporária de recursos cognitivos, afetando diretamente seu desempenho em tarefas pessoais e profissionais.
A proposta de análise está embasada na literatura revisada, propondo um exame conceitual da relação entre estresse financeiro e desempenho executivo dos colaboradores, utilizando indicadores derivados das escalas de estresse financeiro amplamente empregadas na literatura internacional.
A análise poderá ser estruturada em três dimensões principais:
Dimensão 1 – Intensidade do Estresse Financeiro
Avalia o grau de preocupação financeira percebida pelo indivíduo.
Indicadores: frequência de preocupação com dívidas, dificuldade em pagar despesas mensais, percepção de insegurança financeira e nível de ansiedade relacionado às finanças.
Dimensão 2 – Redução da Largura de Banda Mental
Analisa os efeitos cognitivos decorrentes do estresse financeiro.
Indicadores: dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes, sensação de sobrecarga mental, dificuldade de planejamento futuro e tendência à tomada de decisões impulsivas.
A interpretação dessa dimensão fundamenta-se diretamente na teoria de Mullainathan e Shafir (2013), que associa a escassez financeira à diminuição da capacidade cognitiva disponível.
Dimensão 3 – Impactos no Desempenho Organizacional
Examina possíveis reflexos do estresse financeiro no ambiente de trabalho.
Indicadores: queda de produtividade, presenteísmo, aumento de erros operacionais, dificuldade de foco em tarefas complexas e redução da qualidade das decisões profissionais.
Esses indicadores podem ser analisados à luz dos estudos de Mani et al. (2013), que demonstram o impacto da escassez financeira sobre o desempenho cognitivo.
3.1 Técnica de Análise dos Dados
Por tratar-se de uma pesquisa bibliográfica, os dados serão analisados mediante análise de conteúdo temática, conforme Bardin (2016), buscando identificar categorias recorrentes na literatura relacionadas aos seguintes eixos: estresse financeiro, escassez e sobrecarga cognitiva, largura de banda mental, funções executivas e desempenho organizacional.
Posteriormente, as categorias identificadas serão confrontadas com os pressupostos da Teoria da Escassez, permitindo a construção de um modelo interpretativo sobre a influência do estresse financeiro na capacidade cognitiva e no desempenho dos colaboradores.
Os resultados identificados na literatura demonstram que a percepção de escassez financeira produz efeitos significativos sobre o funcionamento cognitivo dos indivíduos.
De acordo com a Teoria da Escassez, proposta por Mullainathan e Shafir (2013), a preocupação constante com recursos financeiros insuficientes desencadeia um mecanismo denominado túnel cognitivo (tunneling), no qual a atenção é direcionada quase exclusivamente para demandas e problemas imediatos.
Esse estreitamento do foco atencional permite que o colaborador concentre esforços na resolução de urgências financeiras de curto prazo, como pagamento de contas, renegociação de dívidas ou obtenção de recursos para despesas essenciais.
Entretanto, esse processo ocorre à custa da redução da largura de banda mental, comprometendo recursos cognitivos necessários para atividades mais complexas e estratégicas.
A literatura evidencia que a ativação do túnel cognitivo está associada à diminuição da capacidade da memória de trabalho, responsável pelo armazenamento temporário e manipulação de informações relevantes para a tomada de decisões.
Como consequência, indivíduos submetidos a elevados níveis de estresse financeiro tendem a apresentar maior dificuldade para processar múltiplas informações simultaneamente, estabelecer prioridades, avaliar alternativas e antecipar consequências futuras. Além disso, observa-se uma redução da capacidade analítica e do raciocínio deliberativo.
Estudos experimentais conduzidos por Mani et al. (2013) demonstraram que a preocupação financeira intensa pode produzir uma queda significativa no desempenho cognitivo, afetando habilidades relacionadas ao raciocínio lógico, à resolução de problemas e ao controle executivo.
Esses efeitos não decorrem de limitações intelectuais permanentes, mas da sobrecarga cognitiva causada pela escassez percebida. No ambiente organizacional, tais alterações podem manifestar-se por meio de dificuldades de concentração, lapsos de memória, aumento da desatenção, maior incidência de erros operacionais e redução da qualidade das decisões profissionais.
Colaboradores financeiramente estressados tendem a dedicar parte considerável de seus recursos mentais às preocupações econômicas pessoais, reduzindo sua disponibilidade cognitiva para atividades que exigem planejamento, inovação e análise crítica.
Os resultados também indicam que a predominância do pensamento voltado para a sobrevivência financeira imediata favorece decisões de curto prazo, muitas vezes em detrimento de estratégias mais sustentáveis e vantajosas no longo prazo. Esse padrão comportamental reforça o ciclo da escassez, uma vez que limita a capacidade de planejamento financeiro, a construção de reservas e a adoção de comportamentos preventivos. Dessa forma, a análise da literatura confirma que a percepção de escassez financeira atua como um importante fator de sobrecarga cognitiva, ativando o túnel cognitivo e reduzindo a eficiência das funções executivas.
Como consequência, ocorre comprometimento da memória de trabalho, da capacidade analítica, do planejamento estratégico e do desempenho profissional, evidenciando a relevância do bem-estar financeiro como elemento fundamental para a saúde cognitiva e a produtividade dos colaboradores.
O conceito de custo cognitivo da escassez tem origem nos estudos da Psicologia Cognitiva, da Economia Comportamental e das Ciências Sociais, que investigam como a falta de recursos afeta os processos de tomada de decisão.
Embora pesquisas anteriores já apontassem a influência da pobreza e do estresse sobre o comportamento humano, a sistematização do conceito ocorreu principalmente com os trabalhos dos economistas comportamentais Sendhil Mullainathan (Universidade de Chicago e Harvard) e Eldar Shafir (Universidade de Princeton).
A consolidação teórica ocorreu a partir de pesquisas desenvolvidas durante a década de 2000 e foi formalizada na obra Scarcity: Why Having Too Little Means So Much (2013).
Os autores propuseram que a escassez, seja de dinheiro, tempo ou outros recursos, não produz apenas limitações materiais, mas também gera consequências cognitivas significativas. Segundo essa perspectiva, a preocupação constante com recursos insuficientes consome parte da capacidade mental disponível, reduzindo a chamada largura de banda mental (cognitive bandwidth).
O conceito rompe com interpretações tradicionais que atribuíam decisões inadequadas exclusivamente à falta de conhecimento ou à ausência de disciplina financeira. Em vez disso, a teoria sugere que a própria condição de escassez compromete temporariamente o funcionamento cognitivo, dificultando a tomada de decisões eficientes.
A evolução do conceito de custo cognitivo da escassez ocorreu de forma gradual, acompanhando o desenvolvimento das pesquisas sobre cognição, comportamento econômico e neurociência.
Inicialmente, os estudos concentravam-se na compreensão de como o estresse e a pressão psicológica afetam a capacidade humana de atenção e tomada de decisão.
Com o avanço da Economia Comportamental, os pesquisadores passaram a investigar especificamente os efeitos da escassez de recursos sobre o funcionamento cognitivo, culminando na formulação da Teoria da Escassez por Sendhil Mullainathan e Eldar Shafir.
Estudos sobre estresse e cognição ocorridos nas décadas de 1970 a 1990 deram origem ao surgimento da primeira fase do estudo. As bases do conceito podem ser encontradas em pesquisas sobre estresse psicológico e funcionamento cognitivo.
Estudos realizados por pesquisadores como Kahneman (1973) demonstraram que a atenção humana constitui um recurso limitado e que situações de pressão reduzem a capacidade de processamento de informações.
Durante esse período, pesquisadores da psicologia passaram a identificar que indivíduos submetidos a elevados níveis de preocupação apresentavam dificuldades de concentração, memória e tomada de decisão.
Com o surgimento do estudo intitulado “Economia Comportamental e Limitações Cognitivas”, que teve seu início nas décadas de 1990 a 2000, deu origem à segunda fase desse estudo.
Com o avanço da Economia Comportamental, autores como Daniel Kahneman, Amos Tversky e Richard Thaler passaram a demonstrar que as decisões econômicas são fortemente influenciadas por fatores psicológicos e limitações cognitivas.
Nesse contexto, surgiram evidências de que situações de restrição financeira aumentavam a probabilidade de decisões impulsivas, vieses cognitivos e comportamentos inconsistentes com os interesses de longo prazo dos indivíduos.
Nos anos de 2000 a 2013, teve início a terceira fase desse estudo, com foco no desenvolvimento da Teoria da Escassez. Nesse período, Mullainathan e Shafir aprofundaram as investigações sobre os efeitos da escassez. Os pesquisadores identificaram dois mecanismos centrais:
a. Túnel Cognitivo (Tunneling)
A atenção passa a concentrar-se excessivamente nos problemas imediatos, reduzindo a capacidade de perceber questões futuras ou secundárias.
b. Redução da Largura de Banda Mental (Bandwidth Tax)
Parte significativa dos recursos cognitivos é consumida pelas preocupações relacionadas à escassez, diminuindo a capacidade de raciocínio, planejamento e autocontrole. Esses conceitos foram empiricamente validados em estudos experimentais publicados em periódicos científicos de alto impacto.
A quarta fase teve início com os estudos voltados para as evidências neurocientíficas e organizacionais, que tiveram início no ano de 2013 e perduram até os dias de hoje. Após a publicação da obra Scarcity, diversas pesquisas passaram a investigar os mecanismos biológicos associados ao custo cognitivo da escassez.
Estudos de neurociência demonstraram que o estresse financeiro crônico está relacionado à ativação contínua do sistema de resposta ao estresse, elevando os níveis de cortisol e afetando áreas cerebrais responsáveis pelas funções executivas, especialmente o córtex pré-frontal.
No ambiente organizacional, as pesquisas passaram a relacionar o estresse financeiro com: redução da produtividade, presenteísmo, aumento de erros operacionais, diminuição da capacidade de concentração, quedas no desempenho profissional e comprometimento da saúde mental.
Atualmente, o conceito é amplamente utilizado em estudos sobre bem-estar financeiro, saúde ocupacional, comportamento organizacional e políticas públicas de combate à pobreza.
| Síntese da Evolução Histórica | |
| Período | Evolução do Conceito |
| 1970 – 1990 | Estudos sobre atenção, estresse e capacidade cognitiva limitada. |
| 1990 – 2000 | Consolidação da Economia Comportamental e das pesquisas sobre vieses decisórios. |
| 2000 – 2013 | Desenvolvimento da Teoria da Escassez por Mullainathan e Shafir. |
| 2013 – Atualidade | Expansão para neurociência, bem-estar financeiro e desempenho organizacional. |
A evolução do conceito de custo cognitivo da escassez demonstra uma mudança importante na compreensão do comportamento humano diante das restrições financeiras.
Atualmente, a literatura científica reconhece que a escassez não representa apenas uma limitação econômica, mas também um fenômeno psicológico e cognitivo que reduz a capacidade de atenção, memória, planejamento e tomada de decisão.
Essa abordagem tem contribuído para o desenvolvimento de intervenções voltadas ao bem-estar financeiro, à saúde mental e à melhoria do desempenho em contextos pessoais e organizacionais.
O custo cognitivo da escassez refere-se ao desgaste mental provocado pela preocupação constante com recursos insuficientes, especialmente financeiros. Segundo Mullainathan e Shafir (2013), a escassez reduz a largura de banda mental (cognitive bandwidth), comprometendo a capacidade de atenção, memória de trabalho, planejamento e tomada de decisão.
A preocupação permanente com contas, dívidas e compromissos financeiros reduz a capacidade de concentração e ocupa parte significativa dos recursos cognitivos disponíveis, dificultando a concentração em atividades profissionais e pessoais.
Portanto, surgirão consequências como distrações frequentes, queda na produtividade, aumento de erros operacionais e dificuldade em concluir tarefas complexas. A memória de trabalho é responsável pelo processamento temporário de informações necessárias para resolver problemas e tomar decisões.
Portanto, as consequências inerentes a essa situação serão: esquecimentos frequentes, dificuldade em organizar prioridades, menor capacidade de processar múltiplas informações simultaneamente. O túnel cognitivo direciona a atenção para problemas imediatos, reduzindo a análise crítica e a avaliação de consequências futuras.
Como consequências futuras temos: decisões impulsivas, falhas no planejamento financeiro e maior suscetibilidade a vieses cognitivos. A urgência financeira leva o indivíduo a priorizar necessidades imediatas em detrimento de estratégias futuras.
Portanto, surgirá como consequência a ausência de reservas financeiras, dificuldade para investir e a manutenção de ciclos de endividamento. A escassez financeira está associada ao aumento dos níveis de estresse, ansiedade e sofrimento psicológico, provocando impactos na saúde mental. Suas consequências são: exaustão mental, insônia, irritabilidade e maior risco de adoecimento emocional.
No ambiente corporativo, o custo cognitivo da escassez poderá gerar o presenteísmo, absenteísmo, redução do desempenho, aumento de acidentes de trabalho, queda da qualidade das decisões e diminuição do engajamento.
Embora a eliminação completa da escassez financeira nem sempre seja possível no curto prazo, a literatura científica aponta estratégias capazes de reduzir significativamente seus efeitos cognitivos. O desenvolvimento de conhecimentos financeiros auxilia na redução da incerteza e aumenta a sensação de controle sobre a própria vida financeira.
Como ações, é possível mencionar o planejamento orçamentário, controle de gastos, gestão de dívidas e formação de reserva estratégica. Agindo dessa maneira, será possível reduzir as preocupações recorrentes e liberar recursos mentais para outras atividades.
A Economia Comportamental sugere reduzir o número de decisões repetitivas relacionadas ao dinheiro. Como exemplo, é possível citar: débito automático, transferências programadas para poupança e investimentos automáticos. Como benefício cognitivo, é possível destacar a diminuição da carga mental associada ao controle financeiro cotidiano.
A existência de recursos para imprevistos reduz a sensação de vulnerabilidade financeira. Com benefício cognitivo, é possível mencionar a existência de menor ativação do túnel cognitivo e maior capacidade de planejamento.
6.1 Custo Cognitivo da Escassez: Programas de Bem-Estar Financeiro nas Organizações
As empresas podem atuar diretamente na redução do estresse financeiro dos colaboradores, tomando como iniciativa a implementação de programas voltados para a educação financeira corporativa, consultoria financeira e orientação sobre dívidas e benefícios direcionados à segurança financeira.
Os possíveis resultados positivos podem ser: aumento da produtividade, redução do presenteísmo; melhoria do clima organizacional. Estratégias voltadas ao fortalecimento da autorregulação auxiliam na recuperação da capacidade cognitiva, promovendo um melhor desenvolvimento das funções executivas.
Como exemplo, é possível mencionar: organização de rotinas, definição de metas, gestão do tempo, técnicas de resolução de problemas.
Como benefício cognitivo, é possível mencionar a possibilidade de melhoria da capacidade de planejamento e tomada de decisão. A literatura aponta que intervenções estruturais produzem os resultados mais duradouros.
Como exemplo, é possível mencionar: aumento da renda, renegociação de dívidas, acesso a crédito responsável, políticas de proteção financeira. Como benefício cognitivo, é possível mencionar que ataca a causa principal da escassez, reduzindo a sobrecarga mental de forma sustentável.
O custo cognitivo da escassez produz consequências que vão além da esfera financeira, afetando diretamente a atenção, a memória, a capacidade analítica, o planejamento e o desempenho profissional. A teoria da escassez demonstra que a preocupação constante com recursos insuficientes consome parte significativa da largura de banda mental, comprometendo as funções executivas dos indivíduos.
Entretanto, estratégias como educação financeira, automação de decisões, formação de reservas, programas de bem-estar financeiro e redução dos estressores econômicos podem minimizar esses efeitos, restaurando a capacidade cognitiva e favorecendo decisões mais racionais, produtivas e sustentáveis.
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Mestre em Administração pela Universidade MUST UNIVERSITY da Flórida – U.S.A. Pós-graduado em Gestão de Negócios e Controladoria pela Universidade de Jales, SP; Pós-graduado em Educação Financeira com Neurociência para Docentes. Metodologia DSOP. Faculdade Unoeste de Presidente Prudente, SP. Pós-graduação em Finanças Comportamentais. Faculdade Unoeste de Presidente Prudente, SP. Pós-graduado em Pedagogia Empresarial pelas Faculdades Metropolitana de Ribeirão Preto, SP, e bacharel em Ciências Contábeis pelas Faculdades Integradas “Rui Barbosa” de Andradina, SP.
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