Atualizado em 26/02/26 - Escrito por João Pedro na(s) categoria(s): Convidados
A digitalização de processos e documentos nas empresas brasileiras é uma tendência consolidada. De acordo com dados oficiais, mais de 90% das indústrias no Brasil já possuem algum nível de uso de informação digital em áreas como produção, logística e administração em 2024. (Agência de Notícias – IBGE)
Ainda assim, apesar da ampla adoção, há um gap técnico importante entre simplesmente digitalizar documentos e criar arquivos que tenham validade jurídica, técnica e operacional de forma confiável.
Este texto mostra onde o Brasil se encontra nesse contexto, por que muitas empresas ainda não conseguem gerar arquivos digitalmente válidos e quais práticas ajudam a transformar a digitalização em algo efetivo e seguro.

Entre 2022 e 2024, a digitalização avançou em ritmo acelerado dentro das indústrias brasileiras. A Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que:
| Área ou função de negócio | % de empresas com algum nível de informação digital em 2024 |
| Administração | 99,4 |
| Comercialização | 95,0 |
| Logística | 94,4 |
| Produção | 92,4 |
| Desenvolvimento de projetos | 91,7 |
| Dados: IBGE — Pintec Semestral 2024. (Agência de Notícias – IBGE) |
Estes números mostram que o uso de tecnologia digital não é mais exceção, mas regra na indústria. A maioria das empresas investe em sistemas digitalizados, plataformas de gestão e ferramentas conectadas à nuvem ou inteligência artificial. (Agência Gov)
Apesar disso, o fato de uma empresa usar dados digitais não garante que os documentos eletrônicos gerados tenham validade jurídica ou técnica quando submetidos a auditorias, contratos legais ou processos regulatórios.
Documento digital é um termo genérico para qualquer arquivo eletrônico que representa conteúdo de informação: ordens de produção, laudos técnicos, contratos e certificados.
A validade de um documento digital depende de critérios que vão além de simplesmente escanear ou guardar um arquivo:
Sem esses critérios, um arquivo digital pode não ser aceito em um cartório, em um processo judicial ou em uma auditoria regulatória.
Muitas organizações tratam a digitalização como um projeto de TI, mas a maior parte de seus desafios está no processo e na cultura organizacional. Entre os erros mais frequentes estão:
Digitalizar um contrato ou ordem de produção sem estabelecer formatos padrão (como PDF/A) e sem definir resolução, nomenclatura e metadados impede que o documento possa ser arquivado de forma consistente.
Assinaturas eletrônicas avançadas ou qualificadas baseadas em certificados digitais (como ICP-Brasil) garantem autenticidade e não repúdio. Sem elas, um documento pode ser contestado legalmente.
Sem um plano que considere formatos abertos, migração periódica de arquivos e controle de versões, o arquivo pode perder legibilidade ou ser incompatível no futuro.
Não raro, empresas adotam sistemas de GED isolados, sem integração com outros processos-chave de produção e compliance, limitando a validade do documento em contextos corporativos ou regulatórios.
Estudos de mercado global sugerem que 71% das empresas brasileiras pretendem digitalizar contratos nos próximos anos, mas também destacam desafios no uso efetivo dessa digitalização nos fluxos corporativos. (Ti Inside)
Além disso, análises de transformação digital mostram que muitos projetos atingem apenas um nível básico de digitalização, o que chamam de “digitalização superficial”, sem atravessar a barreira de transformação de processos e cultura organizacional.
Para além da simples digitalização de arquivos, as empresas devem adotar práticas técnicas e organizacionais que garantam validade e utilidade a longo prazo.
Utilizar formatos como PDF/A, que são apropriados para arquivamento digital, ajuda na preservação e garante que arquivos não dependam de softwares proprietários.
A implementação de assinaturas digitais qualificadas e certificados de autenticação reduz disputas de autoria e aumenta a confiabilidade dos arquivos em processos externos (contratos, licitações, certificações).
A digitalização não deve ficar apenas em um departamento. Implantar uma política corporativa de gestão documental, com regras claras de criação, revisão, retenção e descarte, cria segurança jurídica e operacional.
Sem treinamento adequado para equipes que operam documentação técnica e contratos, mesmo tecnologias avançadas podem gerar arquivos inválidos ou incompletos.
Uma boa estratégia de digitalização não termina com a conversão de arquivos em formato eletrônico. Ela inclui políticas de governança que garantem que cada documento digitalizado seja confiável, rastreável e utilizável no tempo.
Nesse contexto, a organização de arquivos digitais exerce papel central: ela estabelece padrões, nomeações, controles de versão e integra sistemas de gestão documental com fluxos de trabalho. Isso reduz retrabalho, aumenta a eficiência e cria confiança operacional.
Mesmo com investimento crescente, alguns fatores limitam a criação de documentos digitais aceitáveis de forma ampla:
Como mostram análises de mercado, embora muitas empresas já digitalizem partes de seus processos, apenas uma fração delas consegue integrar esses documentos digitalizados em processos jurídicos, fiscais e operacionais de forma totalmente confiável.
A digitalização de documentos no Brasil já é uma realidade para a maioria das indústrias. Porém, transitar de processos digitais básicos para arquivos que sejam verdadeiramente válidos, juridicamente seguros e tecnicamente confiáveis ainda é um desafio.
Esse gap não se resolve apenas com tecnologia: exige governança, padrões claros, treinamento e integração de sistemas. Organizações que abordam esses aspectos conseguem não só reduzir custos e agilizar processos, mas também evitar riscos legais e operacionais no uso de documentos digitais.
O movimento de digitalização continua se intensificando, mas a maturidade real está em transformar arquivos digitais em artefatos confiáveis e sustentáveis ao longo do tempo.
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Redator Industrial e Copywriter. Bacharel em Tradução do Inglês pela UFRGS. 10+ anos de redação, storytelling, tradução e criação de nomes de empresas.
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