Atualizado em 14/07/26 - Escrito por Autor Convidado na(s) categoria(s): Convidados
Perda na produção corrói a margem antes de qualquer negociação de preço. Numa fábrica de esquadrias, ela aparece em retalho de perfil, vidro quebrado, retrabalho e máquina parada. Cada uma dessas perdas some do orçamento, mas não some do custo.
Este texto mostra onde a perda se esconde na produção de esquadrias e como reduzi-la com a lógica lean. Serve para o gestor de indústria de pequeno e médio porte que quer ganhar margem sem depender só de vender mais.
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Perda não é só o refugo que vai para o lixo. É todo recurso gasto que não vira produto entregue ao cliente. Isso inclui material, hora de máquina, hora de pessoa e espaço ocupado.
Numa esquadria, a perda se espalha por várias etapas. Sobra de perfil no corte, vidro trincado no manuseio, peça refeita por medida errada e tempo parado esperando material. Somadas, essas perdas pesam mais do que parecem no fim do mês.
Não dá para reduzir o que não se mede. O primeiro passo é registrar refugo, retrabalho e parada de máquina, dia a dia. Sem dado, a decisão vira achismo.
Um apontamento simples de produção já mostra onde a perda se concentra. Anotar quantos perfis viraram sucata, quantos vidros quebraram e quanto tempo a máquina ficou parada revela o ponto que mais dói. É esse ponto que merece ação primeiro.
O lean, nascido do Sistema Toyota de Produção, classifica sete desperdícios: superprodução, espera, transporte, processamento em excesso, estoque, movimentação e defeitos, como resume o blog da WEG. A ideia é enxergar tudo que consome recurso sem agregar valor ao cliente.
Traduzindo para a esquadria, isso vira algo concreto. Produzir antes da hora enche o estoque. Esperar o vidro para a máquina. Mover o perfil de um lado para o outro sem necessidade. Refazer a peça por erro de medida. Cada desperdício desses tem um custo escondido.
Nem toda perda pesa igual. Na produção de esquadrias, algumas concentram a maior parte do prejuízo.
• Retalho de perfil por corte mal planejado.
• Vidro quebrado no manuseio e no transporte interno.
• Retrabalho por erro de medida do vão.
• Estoque parado de perfil e de vidro.
• Máquina ou pessoa esperando material chegar.
• Refugo de perfil riscado ou amassado.
O perfil chega em barras de comprimento fixo. Corte mal planejado gera retalho curto demais para usar, que vira sucata. Esse é um dos maiores focos de perda de material na esquadria.
Planejar o aproveitamento da barra aumenta o rendimento. Combinar peças de tamanhos diferentes numa mesma barra reduz a sobra. Uma planilha de plano de corte já ajuda; um software de otimização de corte vai além, quando o volume justifica.
Mesmo com bom plano de corte, sempre sobra retalho. A boa notícia é que o alumínio é altamente reciclável, e a sucata volta ao ciclo produtivo economizando cerca de 95% da energia da produção primária, como mostra a Revista Alumínio.
Separar e destinar a sucata de alumínio recupera parte do custo do material. Não elimina a perda, mas reduz o prejuízo dela. Misturar retalho de alumínio com lixo comum joga fora esse valor.
Boa parte da perda não é de material, é de retrabalho. Peça refeita por medida errada gasta perfil, vidro e hora de novo. É a perda que mais irrita, porque já tinha virado produto.
Padronizar a medição resolve muito disso. Definir quem mede, como registra e conferir antes de cortar evita o refugo. Numa fabricação de esquadrias de alumínio, a medida correta do vão é o passo que mais evita retrabalho lá na frente.
Estoque parado de perfil e vidro é dinheiro imobilizado e risco de dano. Perfil amassado ou vidro trincado no estoque vira perda antes mesmo de entrar na produção.
Por outro lado, falta de material para a máquina. O equilíbrio vem de comprar conforme a demanda e organizar o fluxo. Um kanban simples, que sinaliza quando repor, evita os dois extremos sem precisar de sistema complexo.
O vidro quebrado no transporte interno é uma perda cara e perigosa. Cada chapa quebrada é material, hora e risco de acidente ao mesmo tempo.
Cavalete adequado, corredor livre e manuseio treinado reduzem a quebra. É uma perda que raramente aparece na planilha, mas que some da margem. Medir quantas chapas quebram por mês costuma surpreender o gestor.
Reduzir perda uma vez não basta. Sem acompanhamento, o desperdício volta. O ganho vira permanente quando existe meta, medição semanal e ajuste do que não funcionou.
A Vidraçaria Ataíde fabrica esquadrias de alumínio em Belo Horizonte e Contagem, além de trabalhar com vidro e serralheria. Operações desse tipo, de pequeno e médio porte, são justamente as que mais ganham ao tratar a perda como indicador, e não como custo inevitável.
Conta todo recurso gasto que não vira produto entregue. Isso inclui retalho de perfil, vidro quebrado, retrabalho por medida errada, estoque parado e tempo de máquina esperando material. Refugo é só a parte visível da perda.
Comece com um apontamento diário simples: quantos perfis viraram sucata, quantos vidros quebraram e quanto tempo a produção ficou parada. Esse registro mostra onde a perda se concentra e por onde começar a agir, sem precisar de sistema caro no início.
O corte mal planejado. Quando cada barra é cortada sem pensar no aproveitamento, sobra retalho curto demais para usar. Um plano de corte que combina peças diferentes na mesma barra reduz bastante essa sobra.
Tem. O alumínio é altamente reciclável e a sucata volta ao ciclo produtivo com economia grande de energia. Separar o retalho de alumínio e destiná-lo corretamente recupera parte do custo do material, em vez de jogá-lo fora com o lixo comum.
Com manuseio treinado, cavalete adequado e corredor livre no transporte interno. A maior parte da quebra acontece no deslocamento dentro da fábrica. Medir quantas chapas quebram por mês ajuda a dimensionar o problema e cobrar a melhoria.
Conta, e é um dos mais caros. A peça refeita consome material e hora pela segunda vez. A causa mais comum é o erro de medida do vão, que se resolve padronizando a medição e conferindo antes de cortar.
Não para começar. Muita perda cai só com medição no papel, plano de corte em planilha e um kanban simples de reposição. O software ajuda quando o volume cresce e o controle manual não dá mais conta, mas o primeiro ganho vem da rotina de medir e agir.
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