Atualizado em 15/07/26 - Escrito por Autor Convidado na(s) categoria(s): Convidados
Boa parte das indústrias brasileiras vende hoje do mesmo jeito que vendia há trinta anos. O pedido chega pela indicação de um cliente antigo, pelo representante que conhece o comprador desde sempre, ou por um contato feito no estande da feira do setor. Funciona. O problema não é a eficácia desses canais, é a previsibilidade deles.
A feira acontece uma ou duas vezes por ano. A indicação depende da boa vontade de terceiros e do humor do mercado. O representante leva a carteira dele quando decide sair. O resultado é uma operação que oscila, com meses de fábrica cheia e meses de capacidade ociosa, sem que a diretoria consiga explicar direito o motivo. Este texto mostra como construir um quarto canal, que trabalha o ano inteiro, sem abandonar os outros três.
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Feira, indicação e representante têm uma coisa em comum, todos dependem de um evento pontual ou de uma pessoa específica. Se a feira do ano foi fraca, o segundo semestre sente. Se o representante adoece, uma região inteira para. Se o cliente que indicava mudou de comprador, a fonte seca sem aviso.
Nenhum desses canais é ruim. O erro é depender só deles. Uma indústria que quer estabilidade de carteira precisa de pelo menos uma fonte de oportunidade que não dependa de calendário nem de terceiro, e que continue funcionando enquanto ninguém está olhando.
Quando um comprador precisa de um componente, de uma peça sob medida ou de um equipamento, ele raramente começa ligando para um fornecedor. Ele começa pesquisando. Digita o nome do produto, a aplicação, a medida, às vezes a norma técnica. Lê, compara, monta uma lista curta e só então entra em contato.
Isso muda a posição da sua indústria na negociação. Se ela não aparece na etapa da pesquisa, ela não entra na lista curta, e não perde o pedido no preço, perde antes, por não ter sido considerada. Quando o comprador finalmente liga para três fornecedores, a disputa já começou sem você.
Vale notar o que esse comprador procura. Ele não pesquisa pelo nome da sua empresa, porque não a conhece. Ele pesquisa pelo que precisa resolver.
Aqui está o descompasso mais comum. Abra o site de uma indústria média brasileira e você vai encontrar a história da empresa, o ano de fundação, a metragem do galpão, a foto aérea da planta e uma página chamada Produtos com um catálogo em PDF para baixar. Tudo sobre a fábrica. Quase nada sobre o que o comprador digitou.
Segundo Lucas Ferraz, especialista em SEO para empresas e fundador da agência Lucas Ferraz SEO, esse é o padrão que mais custa oportunidade no setor. A página institucional descreve a empresa, enquanto o comprador procura a peça e a aplicação. São dois assuntos diferentes, e o Google entrega o segundo.
A correção não exige refazer o site inteiro. Exige tratar cada produto e cada aplicação como um assunto próprio, com página própria.
Uma única página chamada Produtos, com trinta itens listados, não compete por nenhum deles. Cada linha de produto merece uma página, e cada aplicação relevante também. Uma indústria de usinagem que atende o setor de bombas deveria ter uma página sobre peças usinadas para bombas, e não apenas um item numa lista.
Medida, material, tolerância, norma, capacidade, prazo de fabricação. É isso que o comprador técnico digita e é isso que ele compara. Quanto mais específica a página, menor o volume de buscas e maior a chance de o contato ser um pedido real, e não curiosidade.
Catálogo em PDF é ótimo para quem já é cliente e péssimo para quem ainda vai ser. O conteúdo fica preso, difícil de ler no celular e sem chance de responder a uma busca. Publique a mesma informação em página, e deixe o PDF como material complementar para download.
Muita indústria atrai o comprador e o perde no formulário. Dezoito campos obrigatórios, CNPJ exigido logo de cara e nenhum telefone visível. Peça o mínimo para conseguir responder e ofereça o canal que o comprador prefere, seja formulário, WhatsApp ou telefone direto.
Para indústria que atende região, o perfil no Google costuma ser o primeiro contato visual com a empresa. Endereço correto, telefone que alguém atende, fotos da planta e da produção, horário real. É simples e a maioria dos concorrentes deixa abandonado.
A pergunta que a diretoria vai fazer é se isso dá retorno. Para responder, é preciso medir a origem de cada orçamento. Um campo no formulário perguntando como a pessoa chegou até a empresa já resolve boa parte. O Google Search Console mostra quais buscas trouxeram visita e para quais páginas.
Um aviso sobre prazo. Esse canal não responde em semanas. As primeiras páginas específicas costumam levar alguns meses para começar a aparecer, e o retorno cresce à medida que o conjunto amadurece. Quem espera resultado em trinta dias desiste antes de o canal existir.
Nada aqui sugere abandonar a feira ou dispensar o representante. Feira segue sendo o melhor lugar para fechar relacionamento e ver o concorrente de perto. A diferença é que, com produto e aplicação bem publicados, a sua indústria passa a ser encontrada nos onze meses em que não há feira nenhuma acontecendo.
É a diferença entre esperar o comprador aparecer e estar presente no momento em que ele procura.
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