3 princípios que irão mudar sua visão sobre custos

Atualizado em 23/08/18 - Escrito por Thiago Leão na(s) categoria(s): Custos e Finanças / Gestão de custos

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Quando fundei a Nomus juntamente com o Rafael Netto, vislumbramos a oportunidade de levar a engenharia de produção para todas as indústrias do Brasil através de um software simples, poderoso e acessível. Esse foi o sonho grande que motivou dois engenheiros de produção a desenvolver software de gestão.

Nosso sonho grande continua mais vivo do que nunca e através do Blog Industrial eu posso compartilhar conceitos que por si só irão mudar a visão dos donos e gestores de indústrias e ajudar a disseminar este fantástico conhecimento. Uma das áreas da engenharia de produção que mais me chamava a atenção era a gestão de custos e como a maioria das pessoas tinha dificuldades em entender este importantíssimo tema para a gestão das indústrias. Vamos trabalhar nesta área no post de hoje falando sobre o ABC.

O custeio baseado em atividades (ABCActivity Based Costing) é uma metodologia utilizada para medir o custo dos recursos, atividades e objetos finais. Nela, o custo dos recursos é transferido para as atividades através de direcionadores de recursos e, em seguida, o custo das atividades é transferido para os objetos finais de custeio (OFC’s), através de direcionadores de atividades[1].

A lógica por trás do ABC

Os sistemas ABC disponíveis no mercado no início da década passada permitiam transferências de custos entre objetos do mesmo nível, ou seja, de recursos para recursos, de atividades para atividades e de OFC’s para OFC’s. Na modelagem ABC também é possível fazer a alocação de recursos diretamente para objetos finais de custeio.

Pode-se dizer que a lógica implementada por esses sistemas “empurra” os custos dos recursos até os OFC’s, passando ou não pelas atividades. Essa lógica é ilustrada na figura a seguir:

Lógica do custeio baseado em atividades

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Fonte: Adaptação de COKINS, Gary (1996).

É importante notar, nesta figura, o sentido das setas, sempre da esquerda para a direita. Isto significa que não é possível em um sistema ABC “empurrado” transferir custos “para trás”, de OFC’s para atividades ou para recursos e nem transferir custos de atividades para recursos.

Definições do ABC

O quadro abaixo resume a definição dos termos utilizados no ABC.

Definição dos termos do ABC

TermoDefiniçãoExemplos
RecursoUtilizados pela empresa para realizar atividades ou consumidos pós OFC’sPessoal, equipamentos, espaço, materiais etc.
Direcionador de RecursoUma medida utilizada para alocar o custo dos recursos para recursos, atividades ou objetos finais de custeio.Número de funcionários, área, % de tempo etc.
AtividadeUma série de tarefas relacionadas. As atividades são acionadas pelos processos.Inspecionar produtos, embalar produtos etc.
Direcionador de AtividadeUma medida que relaciona o nível de consumo de determinada atividade por outra atividade ou por um objeto final de custeio.Tempo de inspeção, número de pedidos etc.
Objeto Final de CusteioA entidade que precisa ser custeada em última instância.Produtos, clientes, canais de comercialização etc.

Fonte: Adaptação de COKINS, Gary (1996).

Apesar do fluxo de informações, representado na figura acima, ser dos recursos para os objetos finais de custeio, passando ou não pelas atividades, para se modelar o sistema ABC trabalha-se no sentido contrário.

Passo a passo da modelagem do ABC

Primeiramente descobre-se o que a empresa faz, para quem e como ela vende os produtos, ou seja, modelam-se os OFC’s. Em uma segunda etapa, são verificadas quais atividades são necessárias para atender à esses OFC’s e em seguida, quais recursos são consumidos por essas atividades e pelos OFC’s. Com isto, é possível tornar o sistema mais aderente aos interesses estratégicos da organização. Em uma modelagem mais ampla são verificadas as atividades não relacionadas aos OFC’s, que podem ou não ser dispensadas.

A conexão dos três níveis (recursos, atividades e objetos finais) através de direcionadores tem como objetivos eliminar a utilização de rateios arbitrários através de uma transferência racional de custos e permitir a compreensão dos fatores que causam os custos. Esta metodologia é sustentada por 3 princípios básicos.

Princípio 1 – Objetos finais de custeio consomem atividades.

As atividades de uma empresa devem ter uma causa para serem executadas, ou seja, devem ser demandadas pelos objetos finais de custeio.

Um exemplo real: análise do OFC canal de vendas e-commerce

Como exemplo, um cliente que realiza compras através da internet está disposto a pagar pela entrega da mercadoria em sua casa, em troca dessa comodidade. Entregar a mercadoria na casa do cliente é um processo de negócio que necessita da execução de uma série de atividades.

A entrega, ao mesmo tempo em que gera valor, traz custos para o objeto final. Por outro lado, a compra pela internet pode eliminar pelo menos um elo (o varejista) na cadeia de suprimentos entre o fabricante e o consumidor final, tendo grande potencial de reduzir custos.

Princípio 2 – Diferentes objetos finais requerem níveis distintos de consumo de atividades.

Além de serem a causa para a realização das atividades em uma organização, os diferentes objetos finais de custeio demandam as diferentes atividades de maneira diferente, em quantidades diferentes de direcionadores de custos.

Outro exemplo: comparação entre atacado e varejo

Ao comparar os canais de comercialização varejo e atacado, por exemplo, verifica-se que clientes no varejo, em geral, fazem pedidos com uma maior variedade de produtos em menores quantidades, exigindo entregas frequentes e requerendo com maior intensidade a execução de atividades logísticas.

Princípio 3 – Atividades e OFC’s consomem recursos.

Um conjunto de recursos é necessário para se habilitar à execução de uma atividade e também por objetos finais de custeio.

Exemplo do chão de fábrica: consumo de recursos em uma usinagem

Por exemplo, a fabricação de um produto industrial complexo que demande a usinagem em uma máquina de comando numérico computadorizado. A usinagem pode ser considerada a atividade. Para que esta atividade seja executada, são necessários uma máquina com um operador capacitado, energia, ferramentas de corte, espaço, entre outros recursos.

Por outro lado, para a fabricação deste mesmo produto são necessárias matérias primas especiais, que são recursos consumidos diretamente pelo OFC produto. Esses recursos não passam pelos direcionadores de recursos para atividades, sendo consumidos diretamente pelos produtos.

Você já conhecia o custeio baseado em atividades?

Até hoje o custeio baseado em atividades é relativamente pouco conhecido e pouco aplicado por empresas brasileiras, apesar de ser uma ferramenta discutida desde o início da década de 1980, tendo evoluído muito até hoje, sobretudo devido aos avanços nos sistemas de informação.

Você já conhecia esta ferramenta? Acredita que pode ser aplicada na sua indústria? O Nomus PCP é excelente exemplo de um software de gestão, desenvolvido por engenheiros de produção com uma grande experiência em projetos de gestão de custos e que utiliza os conceitos do ABC. Certamente a sua indústria poderá se beneficiar desta metodologia de apuração de custos. Confira, em uma demonstração, como funciona o Nomus PCP e seu módulo de custos.

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[1] Adaptação de definição em inglês da metodologia ABC segundo Institute of Management Accountants (Statement 4EE 1998).


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Engenheiro Mecânico Industrial formado na UERJ e especialista em implantação de sistemas de gestão Industrial na Nomus. Thiago já atuou em fábricas de diversos setores, como: Embarcações, perfuração submarina, metal-mecânica, materiais de escritório, alimentício, cosméticos e tubulação.



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